Educando Capoeira , Cultura da Infância e Patrimônio na Creche Etelvina Caetano: 10 Anos de Prática Educativa com Mestre Guiné e Professor Dendê
Quando pensamos na salvaguarda do nosso patrimônio cultural e na formação de uma sociedade antirracista, precisamos olhar para onde a vida comunitária germina: a infância. Na Região Norte de Belo Horizonte, a parceria de uma década entre o projeto Educando Capoeira e a Creche Etelvina Caetano se consolidou como uma das experiências mais bonitas e transformadoras de pedagogia da ancestralidade na Educação Infantil.
Sob a condução do Mestre Guiné e do Professor Dendê, essa trajetória de 10 anos mostra como o jogo, o ritmo e a ludicidade da Capoeira são ferramentas fundamentais para construir novas narrativas desde os primeiros passos das nossas crianças.
1. A Capoeira na Cultura da Infância: O Aprender Brincando
Na Educação Infantil, o corpo é a principal linguagem. Na Creche Etelvina Caetano, a Capoeira não entra como uma modalidade esportiva rígida ou uma sequência mecânica de movimentos, mas como cultura viva e brincadeira ancestral.
Ao longo dessa década, Mestre Guiné e Professor Dendê desenvolveram uma metodologia diária pautada na vivência integrada das nossas matrizes:
Oficinas Semanais de Capoeira, Samba de Roda e Maculelê: Toda semana, as crianças vivenciam a pluralidade das manifestações afro-brasileiras. A ginga e o au da Capoeira se somam ao bater dos bastões do Maculelê e à alegria contagiosa do Samba de Roda, desenvolvendo coordenação motor, senso rítmico, musicalidade e pertencimento de forma lúdica.
Gestualidade e Bichos: A movimentação corporal vira descoberta; o au, a bananeira e o caranguejo transformam o espaço em um território de imaginação e expressão.
Ao brincar na roda, a criança aprende a respeitar o espaço do outro, a esperar sua vez e a celebrar a presença do colega — pilares essenciais da convivência democrática e do afeto.
2. A Presença Marcante de Mestra Mãe Ieda: Ancestralidade e Escuta
Um dos pilares mais profundos dessa caminhada de dez anos foi a participação inesquecível da Mestra Mãe Ieda. Sua presença trouxe para o ambiente da creche a bênção e a força da tradição oral que só as nossas matriarcas carregam.
Através de palestras e rodas de conversa, Mãe Ieda conectou crianças, educadores e comunidade:
Transmissão Oral dos Fundamentos: Em rodas de conversa adaptadas e sensíveis, Mãe Ieda compartilhava a história dos antigos, a importância do respeito aos mais velhos e o valor da nossa identidade afromineira.
O Afeto do Terreiro na Escola: A escuta atenta das falas da Mestra ensinou que a educação antirracista se faz com afeto, acolhimento e valorização da sabedoria que vem da raiz.
3. Encontros Nacionais: Intercâmbio Cultural na Região Norte de BH
A dimensão desse trabalho extrapolou as paredes da creche e o próprio município. Marcando esses 10 anos de história, a Creche Etelvina Caetano foi palco de dois grandes Encontros Nacionais, reafirmando o compromisso do projeto com a salvaguarda e o intercâmbio cultural.
Esses eventos contaram com a presença honrosa de Mestres vindos de São Paulo, Rio de Janeiro e Bahia, trazendo a diversidade de sotaques e fundamentos da Capoeira do Brasil para dentro da Região Norte de Belo Horizonte:
Troca de Saberes e Vivências: As crianças e a comunidade escolar puderam vivenciar a Capoeira com grandes referências nacionais, percebendo que a roda em que jogam semanalmente faz parte de uma grande teia global.
Valorização do Território: Trazer mestres de diferentes estados para a creche fortalece a autoestimas dos alunos e transforma a Região Norte em um pólo de efervescência e patrimônio cultural.
4. Uma Década de Formação Comunitária com Mestre Guiné e Professor Dendê
Chegar aos 10 anos de trabalho contínuo em um espaço educativo é fruto de dedicação, sensibilidade e compromisso social. O trabalho conjunto do Mestre Guiné e do Professor Dendê na Creche Etelvina Caetano reflete a essência do Projeto Educando Capoeira: a ponte sólida entre o saber tradicional dos mestres, a pedagogia escolar e a vivência comunitária.
A presença constante dos educadores, somada às oficinas, às rodas de conversa com Mãe Ieda e aos encontros nacionais, criou um vínculo profundo com a comunidade. As crianças que passaram pelas primeiras rodas há dez anos hoje carregam no corpo e na memória o aprendizado do respeito, do ritmo e da autoestima.
Semear no Presente para Colher o Futuro
A experiência da Creche Etelvina Caetano prova que a Capoeira, o Maculelê e o Samba de Roda são a defesa da nossa identidade cultural também na infância — protegendo nossas crianças através da arte e da ancestralidade.
Celebrar essa década de prática educativa do Mestre Guiné e do Professor Dendê, honrando o legado de Mestra Mãe Ieda e a força dos Mestres convidados, é reafirmar que a cultura popular brasileira transforma territórios e constrói um futuro mais justo. Que venham mais muitos anos de axé na Região Norte de Belo Horizonte!

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