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sexta-feira, 24 de julho de 2026

 

Festival Miudinhos: Como a Capoeira e a Tradição Ancestral Transformaram Mais de 100 Crianças na Educação Infantil

Por Mestre Guiné

Quando pensamos em Educação Infantil, muitas vezes a imaginação se limita a salas de aula, brinquedos de plástico e papéis para colorir. Mas o que acontece quando a tradição oral, o toque do berimbau, a ginga e a força dos Saberes Tradicionais entram no chão da escola?

Ao longo de 20 anos como Mestre de Capoeira e educador da primeira infância, vivi na prática a resposta para essa pergunta. Um dos capítulos mais marcantes dessa trajetória aconteceu na Creche Jardim Felicidade, em Belo Horizonte, onde desenvolvi um trabalho contínuo com mais de 100 crianças, com idades entre 2 e 6 anos.

O ponto alto de todo esse processo? O inesquecível Festival Miudinhos.

Muito Além de um Evento: Um Trabalho de Um Ano Inteiro

É comum olhar para apresentações escolares como momentos isolados do calendário. O Festival Miudinhos, no entanto, não era uma "festa de fim de ano" improvisada. Ele era a culminância de um processo pedagógico contínuo, vivenciado semana a semana, roda a roda, fortalecendo a rede comunitária e o direito à cultura.

Trabalhar a Capoeira com a primeira infância exige olhar para a criança em sua totalidade. Cada faixa etária tem o seu tempo, o seu ritmo e a sua descoberta, dialogando diretamente com os campos de experiência e direitos de aprendizagem da BNCC (Base Nacional Comum Curricular):

  • Para os miudinhos de 2 a 3 anos (Corpo, gestos e movimentos): A capoeira é puro estímulo sensório-motor, exploração espacial e ludicidade. É a descoberta dos sons dos instrumentos, a palma no ritmo, o pulo do sapo, a ginga do caranguejo e o equilíbrio do corpo.

  • Para as crianças de 4 a 6 anos (O eu, o outro e o nós): A roda ganha novos contornos. Entram os movimentos fundamentais, a noção de espaço e coordenação, o canto em resposta e, acima de tudo, o aprendizado sobre o respeito ao colega, a escuta atenta e a convivência comunitária.

A Capoeira entrava na creche não como uma simples "aula de educação física", mas como uma tecnologia ancestral de educação integral que ensina identidade, corporiedade, autonomia e afeto.

A Força da Lei 10.639/03 na Primeira Infância

Muitas vezes, a implementação da Lei 10.639/03 (que torna obrigatório o ensino da história e cultura afro-brasileira nas escolas) fica restrita a livros ou datas comemorativas no Ensino Fundamental. O trabalho na Creche Jardim Felicidade provou que a cultura afro-brasileira se vivencia na prática desde os primeiros anos de vida.

Ao colocar a sabedoria dos Mestres de Tradição no espaço escolar, garantimos às crianças o direito de crescerem reconhecendo a beleza, a força e a riqueza da matriz africana e brasileira através do próprio corpo, da música e da oralidade.

quinta-feira, 23 de julho de 2026

🪘 Neves em Movimento: Capoeira, Ancestralidade e Acesso às Políticas Públicas no Território

 


No dia 05 de julho, o município de Ribeirão das Neves viveu um marco histórico na celebração e no fortalecimento da cultura popular. O evento Ribeirão das Neves em Movimento da Capoeira, idealizado pelo Mestre Macarrão e realizado em conjunto com a Comissão de Mestres e Grupos de Neves, reuniu mais de 20 grupos de capoeira em uma grande jornada de integração, aprendizado prático e afirmação de direitos.

🤸‍♂️ Aulas Práticas e Vivências: Tradição no Pé do Berimbau

A transmissão oral e prática do saber ficou a cargo de grandes referências do setor:

  • Mestra Lili: Trouxe a força e a ancestralidade feminina para o centro do aprendizado.

  • Mestrando Lagartixa: Comandou movimentações focadas na técnica, agilidade e dinâmica de jogo.

  • Mestre Dino: Conduziu momentos de fundamentos tradicionais, reforçando a disciplina e o respeito às raízes.

  • Instrutor Coyote: Contribuiu com metodologias dinâmicas de treino, integrando todos os alunos.

🏛️ Palestras e Diálogo Político

O encontro contou com momentos decisivos de formação sobre direitos e gestão cultural:

  • Mestre Guiné: Apresentou caminhos para a desburocratização dos editais de fomento (como FEC e PNAB) e defendeu a Capoeira como tecnologia social, patrimônio imaterial e vetor socioeducativo nas periferias.

  • Deputada Andréia de Jesus: Pautou a urgência de incluir a periferia e os povos tradicionais no orçamento público, destacando a articulação de emendas e o combate ao racismo estrutural através da cultura.

🤝 União e Fortalecimento do Território

A iniciativa do Mestre Macarrão e da Comissão de Mestres de Ribeirão das Neves deixa um legado claro: quando a comunidade se organiza e pauta os seus direitos junto às lideranças, o berimbau ecoa com ainda mais força nos espaços de decisão.

A Grandeza do Mundial FICAG 2026 sob a Liderança do Grande Mestre Museu em BH e no Mundo !!!

 


Belo Horizonte viveu dias inesquecíveis que entrarão para a história da capoeira mundial. O auditório do tradicional Colégio Tiradentes transformou-se no grande palco do Mundial de Capoeira da FICAG (Fundação Internacional Capoeira Artes das Gerais), um evento monumental idealizado e organizado pelo Mestre Museu — figura de destaque e referência da nossa capoeiragem belo-horizontina.

Diante de um público vibrante de cerca de 1.000 pessoas, o evento demonstrou toda a força, a disciplina e a beleza socioeducativa do trabalho que o Mestre Museu constrói e expande para o mundo.

🪘 Cursos com Grandes Nomes da Capoeira Mundial e Formatura Histórica

O Mundial foi uma verdadeira imersão na essência e nos fundamentos da arte. Durante a programação, os participantes tiveram a oportunidade de vivenciar cursos e oficinas ministrados por renomados Mestres de todo o Brasil e do exterior, promovendo um intercâmbio cultural e técnico inestimável.

Um dos momentos mais marcantes e emocionantes do encontro foi a Formatura de Mestres e Formandos:

  • Reconhecimento da Trajetória: A entrega de novas graduações selou anos de dedicação, disciplina e respeito às raízes da Capoeira.

  • Renovação da Liderança: Ver novos formandos e mestres assumindo a responsabilidade de dar continuidade aos fundamentos ancestrais emociona e garante a preservação do nosso patrimônio imaterial.

🏆 Campeonato Mundial: Técnica, Respeito e Superação

A competição foi um espetáculo à parte na arena do Colégio Tiradentes. As disputas das categorias Masculina e Feminina reuniram atletas e capoeiristas de altíssimo nível:

  • Equidade e Alto Rendimento: O campeonato destacou a força e a plasticidade do jogo, com jogos disputados, mas marcados pela lealdade e pela camaradagem tradicional das rodas.

  • Vitrine para Jovens Talentos: Para os alunos e projetos socioculturais —, ver os maiores nomes da modalidade em ação serve de combustível e inspiração para as futuras gerações.

🏛️ O Impacto e o Legado para Belo Horizonte

Reunir cerca de mil pessoas em um espaço como o auditório do Colégio Tiradentes reafirma que a Capoeira, quando conduzida com profissionalismo e propósito, movimenta a economia criativa, o turismo cultural e a inclusão social.

O Mestre Museu e toda a família FICAG estão de parabéns por organizarem um evento impecável, que colocou Belo Horizonte no topo do cenário mundial e mostrou o real valor da nossa cultura viva.

A TV Capoeira Videos esteve presente representada pelo Mestre Guine com a Live das Formaturas momento emocionante e de grande impacto nas Redes . 

Fomento e Salvaguarda: 1ª Reunião do Conselho de Capoeira de Ibirité

 

Fomento e Salvaguarda: 1ª Reunião do Conselho de Capoeira de Ibirité



A Primeira Reunião do Conselho de Capoeira de Ibirité marcou um passo histórico na articulação entre as lideranças tradicionais e as políticas públicas municipais, definindo estratégias para a salvaguarda, a Rede Cultura Viva e a captação de recursos para o setor.

O encontro reuniu grandes referências como Mestre Edvaldo, Mestra Sereia, Mestre Pacote, Contramestre Macaquinho e Mestre Guiné (gestor do Ponto de Cultura Centro Espírita Nossa Senhora das Graças), além de diversas outras lideranças e representantes da comunidade, unindo forças para estruturar a atuação da Capoeira no município.

🏛️ Diretrizes Estratégicas: Captação, Cultura Viva e Políticas Públicas

  1. Captação de Recursos e Editais Públicos:

    • Orientações práticas para acesso ao Fundo Estadual de Cultura (FEC), recursos da Política Nacional Aldir Blanc (PNAB) e leis de fomento.

    • Capacitação dos grupos locais para a elaboração de projetos desburocratizados e captação direta.

  2. Fortalecimento da Rede Cultura Viva:

    • Consolidação da Capoeira como patrimônio imaterial e vetor socioeducativo na cidade.

    • Integração dos coletivos à rede nacional e estadual de Pontos de Cultura.

  3. Mapeamento e Diagnóstico Territorial:

    • Levantamento detalhado das academias, projetos socioculturais e mestres em atividade nas diferentes regiões e periferias de Ibirité.

  4. Inserção Socioeducativa e Letramento Racial:

    • Estratégias para ampliar a presença da Capoeira nas escolas e centros comunitários como ferramenta de inclusão e combate ao racismo estrutural.

  5. Organização do Calendário Oficial:

    • Alinhamento de datas e eventos para garantir visibilidade e apoio institucional do poder público municipal às rodas e encontros ao longo do ano.

💬 Faça parte dessa construção!

Como a sua academia ou grupo tem se preparado para acessar os editais de fomento na cidade? Deixe seu comentário e compartilhe este registro!

Movimento Ancestral – Ofício do Mestre: Tradição, Política Pública e Roda Viva no CESU Industrial


A salvaguarda da cultura popular e a valorização do patrimônio imaterial ganharam mais um capítulo fundamental em Minas Gerais. O CESU Industrial foi palco do encontro "Movimento Ancestral – Ofício do Mestre", uma iniciativa que reuniu debate institucional, vivência comunitária e a força da tradição viva em um único espaço.

Gerido pela Move Cultura e viabilizado por meio de emenda parlamentar da deputada estadual Macaé Evaristo, o evento destacou-se pela articulação entre a tradição oral e a gestão de políticas públicas culturais no estado.

🏛️ Política Pública e Capoeira: O Ofício do Mestre em Pauta

A abertura do encontro contou com a palestra ministrada por Mestre Guiné, supervisor técnico do programa, ativista cultural e gestor do Ponto de Cultura Centro Espírita Nossa Senhora das Graças. Com vasta bagagem na coordenação de projetos socioculturais e na comunicação comunitária, Mestre Guiné abordou a urgência do fortalecimento da Capoeira no âmbito das políticas públicas institucionais.

Durante sua exposição, foram debatidos pontos centrais para a categoria:

  • Fomento e Sustentabilidade: A necessidade de simplificação no acesso aos mecanismos estaduais de incentivo, garantindo repasse direto e valorização aos verdadeiros detentores do saber tradicional.

  • Salvaguarda do Ofício: O reconhecimento da Capoeira não apenas como esporte, mas como tecnologia social, patrimônio cultural imaterial e vetor de economia criativa.

  • Educação e Cidadania: O papel dos mestres e dos projetos socioculturais como instrumentos de combate ao racismo estrutural, letramento racial e inclusão nas periferias.

🪘 A Força do Samba de Roda com Mametu Nebanvula

A energia da celebração ancestral tomou conta do espaço com a vivência de Samba de Roda, conduzida por Mametu Nebanvula (Mestra Luzelena de Fátima), liderança do Ponto de Cultura Samba do Lagedo e referência do Coletivo Manzo Ngunzo Kiamase.

A oficina proporcionou uma imersão nos fundamentos do ritmo, dos cantos e da dança comunitária:

  • Conexão com a Matriz Africana: A vivência resgatou os toques ancestrais e a musicalidade que entrelaçam a memória dos terreiros, o Congado, o Candomblé e a Capoeira em Minas Gerais.

  • Transmissão Oral de Saberes: A presença vibrante da Mestra reafirmou o papel das guardiãs da memória na preservação das culturas tradicionais, conectando os participantes às raízes profundas da Afromineiridade.

🤸‍♂️ A Roda Final: Condução e Celebração no Pé do Berimbau

Para coroar a jornada de aprendizado e troca, a grande Roda de Capoeira final foi conduzida pelo Mestrando Camaleão (ABADÁ-Capoeira).

Com energia, fundamento e respeito às diferentes escolas, a roda sob a condução do Mestrando Camaleão colocou em prática a integração de mestres, capoeiristas de diversas graduações e a comunidade presente, encerrando o evento em um verdadeiro ritual de celebração e união da arte do berimbau.

🤝 Parceria Estratégica e Legado Cultural

A realização do Movimento Ancestral – Ofício do Mestre reflete a relevância do trabalho em rede:

  1. Gestão Cultural Eficiente: A Move Cultura atuou na viabilização operacional e estrutural do projeto, garantindo acessibilidade e execução de excelência.

  2. Investimento Público Consciente: O aporte via emenda parlamentar da deputada Macaé Evaristo reafirma o compromisso com a pauta da igualdade racial, da valorização dos mestres populares e do fortalecimento dos territórios periféricos.

Iniciativas como essa demonstram que a preservação do patrimônio imaterial se faz com diálogo político, ocupação dos espaços públicos e corpo em movimento.

quarta-feira, 22 de julho de 2026

Tecnologia, Tradição e Ancestralidade: Projeto "Capoeira Drone" Celebra 128 Anos do Ponto de Cultura Centro e Nossa Senhora das Graças

 


Tecnologia, Tradição e Ancestralidade: Projeto "Capoeira Drone" Celebra 128 Anos do Ponto de Cultura Centro e Nossa Senhora das Graças

A tecnologia e a cultura popular tradicional voltam a se dar as mãos na Região Metropolitana de Belo Horizonte. Em uma ação inédita que une memória cultural e inovação audiovisual, o Ponto de Cultura Centro e Nossa Senhora das Graças, em parceria com o Ponto de Cultura Capoeira Vídeos, lança oficialmente o Projeto Capoeira Drone.

A iniciativa marca as comemorações dos 128 anos de dedicação do Ponto de Cultura Centro e Nossa Senhora das Graças à comunidade e à salvaguarda das tradições locais.

O Olhar do Alto Para Fortalecer Nossas Raízes

O projeto vai oferecer 13 coberturas de drone 100% gratuitas direcionadas a Pontos de Cultura de Capoeira e expressões da Cultura Afro-Popular atuantes na RMBH.

O objetivo principal é registrar a dinâmica, a geometria e a energia das rodas, festejos e celebrações a partir de uma perspectiva aérea profissional. Além do impacto estético, as filmagens servirão como acervo de memória e material de alta qualidade para portfólios, divulgação digital e prestação de contas de projetos culturais.

Inclusão Tecnológica com Reconhecimento Internacional

A parceria com o Ponto de Cultura Capoeira Vídeos traz para o projeto uma bagagem sólida de inovação e impacto social. O coletivo foi vencedor do Prêmio do Projeto Revoada, concedido pela ONU em 2022, justamente pelo trabalho de excelência na inserção tecnológica dentro da comunidade afro.

Unir a trajetória de 128 anos de resistência comunitária do Centro e Nossa Senhora das Graças com o know-how tecnológico do Capoeira Vídeos reafirma que a tradição afro-brasileira também é espaço de vanguarda, audiovisual e transformação digital.

Quem Pode Participar e Como Funciona?

  • O que é: 13 coberturas audiovisuais aéreas (drone) gratuitas.

  • Público-alvo: Coletivos, terreiros, grupos de Capoeira e Pontos de Cultura Afro-Popular.

  • Onde: Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH).

  • Custo: Totalmente gratuito.

  • Vagas: Apenas 13 contemplados.

As vagas são limitadas para garantir a entrega técnica e a qualidade da pós-produção de cada uma das coberturas.

Mande mensagem no wattsapp e agende a sua cobertura 

terça-feira, 21 de julho de 2026

Mãe Ieda (In Memoriam) e o Julho das Pretas: Matriarcado, Memória e Resistência Ancestral

Mãe Ieda (In Memoriam) e o Julho das Pretas: Matriarcado, Memória e Resistência Ancestral

Mestra Mae Ieda

Resumo: Este artigo analisa a convergência entre a agenda política do Julho das Pretas e a preservação da memória de Mãe Ieda (In Memoriam), matriarca e benzedeira do Centro Espírita Nossa Senhora das Graças. O estudo aborda a liderança religiosa e comunitária das mulheres negras como uma tecnologia ancestral de cura, acolhimento social e salvaguarda do patrimônio cultural afro-mineiro, demonstrando como a transmissão oral e a pedagogia de terreiro sustentam as lutas contemporâneas antirracistas no Brasil.

Palavras-chave: Mãe Ieda. Julho das Pretas. Centro Espírita Nossa Senhora das Graças. Matriarcado. Ancestralidade. Patrimônio Imaterial.

1. Introdução

O mês de julho consolida-se no calendário nacional como um período central para a visibilidade e a mobilização política das mulheres negras no Brasil. No âmbito das celebrações do Dia Internacional da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha e do Dia Nacional de Tereza de Benguela (25 de julho), o movimento Julho das Pretas pauta o combate ao racismo estrutural, ao machismo e às desigualdades sociais, promovendo o protagonismo e a busca pelo bem-viver.

Nesse cenário de reafirmação de direitos, a homenagem à memória de Mãe Ieda (In Memoriam) emerge como um compromisso com a história da cultura afro-brasileira em Minas Gerais. Liderança e guardiã do Centro Espírita Nossa Senhora das Graças — instituição centenária que atua como ponto de convergência comunitária e salvaguarda do patrimônio imaterial —, Mãe Ieda personificou a união entre a devoção sagrada, o acolhimento social e a resistência política.

Este artigo analisa a trajetória de Mãe Ieda no contexto do Julho das Pretas, evidenciando como a sabedoria das matriarcas de terreiro fundamenta a continuidade das lutas emancipatórias das mulheres negras contemporâneas.

2. Fundamentação Teórica: O Matriarcado Negro e a Pedagogia do Terreiro

A atuação das lideranças femininas de matriz africana no Brasil dialoga diretamente com os conceitos de ancestralidade, decolonialidade e patrimônio vivo. Conforme destacam os estudos sobre as corporatividades afro-diaspóricas (SIMAS & RUFINO, 2018), o terreiro e os centros de tradição funcionam como polos de resistência cultural e social diante do apagamento histórico promovido pela colonialidade.

"O saber da matriarca não se restringe ao espaço ritualístico; ele constitui uma tecnologia social de preservação da vida, onde a reza, o uso das ervas e o acolhimento funcionam como ferramentas formais de saúde, cidadania e proteção comunitária."

A trajetória de Mãe Ieda insere-se nessa tradição de cuidado integral. Na condição de benzedeira e guardiã de costumes seculares, sua liderança demonstrou que a preservação da memória e a transmissão oral para os mais jovens são pilares indispensáveis para a construção da identidade e do pertencimento étnico-racial.

3. Desenvolvimento: A Tradição em Ato no Centro Espírita Nossa Senhora das Graças

O Centro Espírita Nossa Senhora das Graças construiu uma história sólida de articulação comunitária e salvaguarda da cultura afro-mineira. Sob a regência de Mãe Ieda, a instituição consolidou sua atuação a partir de eixos fundamentais:

  • Práticas de Cura e Medicina Popular: O exercício do benzedor, o conhecimento das folhas e a escuta acolhedora como recursos de saúde física e espiritual para a população periférica.

  • Acolhimento Comunitário: A transformação do espaço tradicional em um centro de apoio social, garantindo a sustentação de famílias e a promoção da dignidade humana.

  • Salvaguarda das Expressões Tradicionais: O fortalecimento do Ponto de Cultura, incentivando manifestações como a capoeira, as danças tradicionais e a preservação dos ritmos sagrados como estratégias de formação cidadã.

                    MÃE IEDA (IN MEMORIAM)
        (Matriarca, Benzedeira e Guardiã das Tradições)
                             │
                             ▼
            CENTRO ESPÍRITA NOSSA SENHORA DAS GRAÇAS
            (Preservação do Patrimônio e da Memória)
                             │
                             ▼
                     JULHO DAS PRETAS
       (Afirmação Política, Visibilidade e Continuidade)
                             │
            ┌────────────────┴────────────────┐
            ▼                                 ▼
   Acolhimento Comunitário          Fortalecimento da Identidade
   e Justiça Social                 e da Cultura Afro-Mineira

No Julho das Pretas, a exaltação a Mãe Ieda reafirma a premissa de que a marcha e as conquistas do movimento negro atual só são possíveis porque matriarcas pavimentaram o caminho em momentos de adversidade. O reconhecimento de seu legado combate o apagamento histórico e reafirma a relevância das mulheres negras na formação cultural e social do país.

4. Considerações Finais

A preservação da memória de Mãe Ieda (In Memoriam) no âmbito do Julho das Pretas representa um ato de justiça histórica e de afirmação dos saberes ancestrais.

A vida e a obra de Mãe Ieda no Centro Espírita Nossa Senhora das Graças demonstram que a verdadeira liderança se consolida no compromisso diário com a comunidade, com a cultura popular e com a dignidade humana. Seu legado permanece vivo nas práticas de ensino, nas manifestações de rua, na capoeira e na continuidade das ações antirracistas, inspirando novas gerações a manterem acesa a chama da resistência e do bem-viver.

Referências Bibliográficas

  • BIÃO, Armindo. Etnocenologia e a cena viva. Salvador: Editora UFBA, 2007.

  • MIGNOLO, Walter. Histórias locais/projetos globais: colonialidade, saberes subalternos e pensamento liminar. Belo Horizonte: Editora UFMG, 2003.

  • SIMAS, Luiz Antonio; RUFINO, Luiz. Fogo no mato: a ciência encantada das macumbas. Rio de Janeiro: Mork, 2018.

  • WALSH, Catherine. Interculturalidad crítica y pedagogía decolonial: apuestas desde el in-surgir, re-existir y re-vivir. Quito: Universidad Andina Simón Bolívar, 2009.

Capoeira e Jogos Africanos na Formação e na Escola: A Pedagogia Decolonial do Projeto "Educando Capoeira" no Programa Egbara Wa (UEMG)

 

Capoeira e Jogos Africanos na Formação e na Escola: A Pedagogia Decolonial do Projeto "Educando Capoeira" no Programa Egbara Wa (UEMG)

Resumo: Este artigo analisa a experiência pedagógica e extensionista do projeto Educando Capoeira, conduzido pelo Mestre Guiné no âmbito do Programa Saberes Tradicionais — Egbara Wa, da Universidade do Estado de Minas Gerais (UEMG), sob a coordenação da Professora Dra. Vitória Régia. O estudo investiga a metodologia do projeto, estruturada de forma integrada entre a formação acadêmica — por meio de palestras na Faculdade de Educação (FaE/UEMG - Unidades Ibirité e Cidade Jardim) — e a aplicação prática através de oficinas de Capoeira e Jogos Africanos para estudantes do Ensino Médio em escolas públicas. Destaca-se a trajetória de mais de dois decênios do Mestre Guiné na Educação Infantil e Básica como Mestre dos Saberes Tradicionais. Conclui-se que o projeto consolida uma práxis decolonial eficaz no combate ao racismo estrutural e na aproximação entre universidade, escola e saberes populares.

Palavras-chave: Educando Capoeira. Mestre Guiné. Saberes Tradicionais. FaE-UEMG. Jogos Africanos. Ensino Médio. Decolonialidade.

1. Introdução

A inclusão dos saberes e práticas corporais de matriz africana no espaço universitário e na educação básica consolida-se como um movimento urgente de decolonização do conhecimento e enfrentamento ao racismo estrutural. Historicamente, o sistema educacional ocidentalizado privilegiou a escrita e a racionalidade cartesiana, relegando a oralidade, o jogo ancestral, a corporalidade e as tecnologias populares a um lugar secundário na produção científica e pedagógica formal.

No âmbito da Universidade do Estado de Minas Gerais (UEMG) — articulando a Faculdade de Educação (FaE/Ibirité) e a Unidade Cidade Jardim (BH) —, essa transformação epistemológica ganhou materialidade através do Programa Saberes Tradicionais — Egbara Wa, sob a coordenação da Professora Dra. Vitória Régia. O programa foi concebido para aproximar a formação acadêmica do conhecimento vivo dos mestres da cultura popular, em pleno alinhamento às Leis Federais 10.639/03 e 11.645/08.

Foi no contexto do Egbara Wa que o Mestre Guiné — reconhecido Mestre dos Saberes Tradicionais com uma trajetória de mais de 20 anos de atuação dedicada à Educação Infantil e Ensino Básico — implementou as ações do seu projeto Educando Capoeira. A proposta metodológica desdobrou-se em dois ambientes complementares de atuação:

  • Palestras Acadêmicas na Universidade (FaE-UEMG): Espaço de reflexão teórica, debate e transmissão oral direcionado a licenciandos, docentes e pesquisadores sobre a decolonialidade, a ludicidade afro-diaspórica e a importância dos mestres tradicionais na educação.

  • Oficinas Práticas nas Escolas (Ensino Médio): Aplicação direta dos Jogos Africanos e da Capoeira junto a estudantes do Ensino Médio da rede pública, promovendo o pertencimento étnico-racial, a conscientização histórica e o desenvolvimento socioemocional.

Este artigo analisa essa articulação entre universidade, escola pública e saber tradicional, demonstrando o impacto do projeto Educando Capoeira na formação de novos educadores e na juventude periférica.

2. Fundamentação Teórica: Trajetória, Saberes Tradicionais e Decolonialidade

A fundamentação do projeto Educando Capoeira assenta-se na bagagem acumulada do Mestre Guiné ao longo de mais de duas décadas de experiência com a infância e a juventude. A validação do Mestre de Saberes Tradicionais no ambiente universitário rompe com a hierarquia eurocêntrica que reconhece apenas o título acadêmico formal como fonte legítima de saber (MIGNOLO, 2003; WALSH, 2009).

"A capoeira e os jogos tradicionais africanos na escola e na universidade não são meras atividades recreativas; constituem tecnologias ancestrais de transmissão de filosofia, ética, estratégia corporal, musicalidade e preservação da memória histórica da diáspora."

— (Reflexão inspirada em SIMAS & RUFINO, 2018)

A experiência acumulada pelo Mestre Guiné na Educação Infantil traz uma sensibilidade pedagógica única para o trabalho com estudantes do Ensino Médio e para as palestras na FaE-UEMG. O jogo e a roda funcionam como linguagens de acolhimento, permitindo desconstruir o racismo estrutural e reconstruir a autoimagem de jovens negros e não negros no ambiente escolar.

3. Desenvolvimento e Metodologia do Projeto no Egbara Wa

A estrutura do projeto Educando Capoeira no Programa Egbara Wa desenhou um fluxo contínuo entre a teoria acadêmica e a práxis escolar:

                  ┌──────────────────────────────────────────────────┐
                  │             MESTRE GUINÉ (20+ ANOS)              │
                  │         Mestre dos Saberes Tradicionais          │
                  └────────────────────────┬─────────────────────────┘
                                           │
                                           ▼
                       PROGRAMA SABERES TRADICIONAIS — EGBARA WA
                  (UEMG Cidade Jardim / FaE Ibirité | Coord. Prof.ª Vitória)
                                           │
                           ┌───────────────┴───────────────┐
                           ▼                               ▼
                 PALESTRAS NA UNIVERSIDADE        OFICINAS NAS ESCOLAS
                    (FaE/UEMG - Acadêmicos)        (Estudantes do Ensino Médio)
                           │                               │
                ┌──────────┴──────────┐          ┌─────────┴──────────┐
                ▼                     ▼          ▼                    ▼
           Teoria da             Valorização    Jogos Africanos      Capoeira e
         Decolonialidade          dos Saberes    Tradicionais        Roda Ancestral

3.1. As Palestras na Faculdade de Educação (FaE/UEMG)

Nas palestras ministradas para a comunidade universitária, o Mestre Guiné abordou a urgência de integrar os Saberes Tradicionais nos currículos de formação de professores. Apresentou o projeto Educando Capoeira como um estudo de caso bem-sucedido, demonstrando como as metodologias construídas na Educação Infantil ao longo de 20 anos podem fundamentar práticas pedagógicas antirracistas e inclusivas no ensino superior.

3.2. As Oficinas Práticas nas Escolas Públicas (Ensino Médio)

Nas escolas parceiras, as oficinas com os estudantes do Ensino Médio focaram em dois eixos lúdico-corporais:

  • Jogos Africanos Tradicionais: Vivência de jogos e brincadeiras de diversas regiões do continente africano, desenvolvendo raciocínio tático, cooperação, foco, agilidade e valorização da cultura ancestral.

  • Capoeira Ancestral e Pedagógica: A prática da roda, do canto, da musicalidade (berimbau, atabaque, pandeiro) e da movimentação, oferecendo aos jovens do Ensino Médio uma ferramenta potente de expressão, disciplina consciente e orgulho de suas raízes.

4. Considerações Finais

A realização do projeto Educando Capoeira no âmbito do Programa Saberes Tradicionais — Egbara Wa, sob a coordenação da Professora Dra. Vitória Régia na UEMG (FaE/Ibirité e Cidade Jardim), representa um modelo exemplar de integração entre a universidade pública, a escola de Educação Básica e a comunidade.

A trajetória de mais de 20 anos do Mestre Guiné na Educação Infantil e sua atuação como Mestre dos Saberes Tradicionais demonstraram que a ponte entre palestras acadêmicas e oficinas com jovens do Ensino Médio é o caminho para uma transformação educacional verdadeira. O projeto reafirma que combater o racismo estrutural exige reconhecer e vivenciar as tecnologias ancestrais dos jogos africanos e da capoeira como saberes fundamentais para a formação humana e cidadã.

Referências Bibliográficas

  • BIÃO, Armindo. Etnocenologia e a cena viva. Salvador: Editora UFBA, 2007.

  • MIGNOLO, Walter. Histórias locais/projetos globais: colonialidade, saberes subalternos e pensamento liminar. Belo Horizonte: Editora UFMG, 2003.

  • SIMAS, Luiz Antonio; RUFINO, Luiz. Fogo no mato: a ciência encantada das macumbas. Rio de Janeiro: Mork, 2018.

  • WALSH, Catherine. Interculturalidad crítica y pedagogía decolonial: apuestas desde el in-surgir, re-existir y re-vivir. Quito: Universidad Andina Simón Bolívar, 2009.

MESTRE GUINE E MAE REGINA e o Ponto de Cultura CENSG NA Universidade Estadual de Minas Gerais - UEMG


Saberes de Terreiro na Academia: 


A Pedagogia das Danças Afro-Brasileiras, Ritmos Sagrados e Memória Centenária na UEMG Ibirité
Resumo: Este artigo analisa a experiência pedagógica e de extensão desenvolvida na Universidade do Estado de Minas Gerais (UEMG) - Unidade Ibirité, pautada nas sabedorias e práticas corporais do Centro Espírita Nossa Senhora das Graças. A partir da salvaguarda de uma tradição secular de 128 anos, o estudo investiga a inserção das Danças Afro-Brasileiras e dos Toques Sagrados no ensino superior. Sob a regência da Mestra Mãe Regina, analisam-se as manifestações gestuais das danças dos Pretos Velhos e Caboclos. Sob a condução do Mestre Guiné, examina-se a relação entre a rítmica dos tambores e a estruturação dos arquétipos umbandistas. Conclui-se que a presença dos mestres tradicionais na universidade tenciona o cânone eurocêntrico, promovendo uma decolonização do saber por meio do corpo e do ritmo no campo da formação acadêmica e extensionista.
Palavras-chave: Danças Afro-Brasileiras. Umbanda. UEMG Ibirité. Pretos Velhos. Caboclos. Tambores Sagrados. 
Decolonialidade. 1. Introdução A inclusão dos saberes tradicionais de matriz africana e afro-indígena no espaço universitário consolida-se como um movimento urgente de decolonização do conhecimento e validação das epistemologias de terreiro. Historicamente, a universidade de matriz ocidental estabeleceu uma hierarquia que privilegiou a escrita e a racionalidade cartesiana, relegando a oralidade, a sabedoria ancestral e as expressões corporais a um lugar secundário na produção científica formal. No contexto da Universidade do Estado de Minas Gerais (UEMG) - Unidade Ibirité, instituição com marcante atuação na formação de educadores e no desenvolvimento de projetos de extensão comunitária e cultural, o diálogo entre a tradição oral e a formação acadêmica encontrou um terreno férito na vivência proporcionada pelo Centro Espírita Nossa Senhora das Graças — instituição centenária que acumula 128 anos de história, resistência e salvaguarda da memória comunitária e religiosa em Minas Gerais. A transmissão desses saberes no ambiente acadêmico da UEMG Ibirité estruturou-se a partir de dois eixos prático-conceituais fundamentais: Mestra Mãe Regina: Condução do ensino das Danças Afro-Brasileiras, voltando o olhar pedagógico para as expressões rituais e corporais das linhas dos Pretos Velhos e dos Caboclos. Mestre Guiné: Abordagem da dimensão rítmico-sonora, trabalhando os tambores sagrados, suas cadências e a articulação dos arquétipos umbandistas no corpo em movimento. Este artigo busca documentar e analisar criticamente essa experiência, refletindo sobre como a aliança entre a história centenária do terreiro, a dança e a musicalidade contribui para a formação de uma práxis pedagógica integrada, sensível e pautada no patrimônio cultural imaterial. 
2. Fundamentação Teórica: O Terreiro como Matriz Epistêmica A presença dos saberes tradicionais na UEMG Ibirité estabelece um diálogo direto com os conceitos de decolonização do saber (MIGNOLO, 2003; WALSH, 2009). Romper com o viés eurocêntrico da academia exige não apenas diversificar a bibliografia teórica, mas reconfigurar quem ensina e quais metodologias são reconhecidas como válidas na sala de aula universitária. "O corpo no terreiro é o próprio documento e suporte de memória. Não há separação entre a razão que pensa e o corpo que dança; o conhecimento é corporificado e vivido na experiência do rito e do ritmo." > — (Reflexão inspirada em SIMAS & RUFINO, 2018) Nesse panorama, o Centro Espírita Nossa Senhora das Graças, ao longo de seus 128 anos de existência, atua como um verdadeiro espaço epistêmico — um polo produtor de ciência popular, filosofia e preservação do patrimônio imaterial. A transposição desse acervo centenário para a sala de aula universitária desmistifica o terreiro como mero espaço de culto, posicionando-o como centro gerador de pedagogia, arte e cultura. Ao vivenciar as danças e os toques sagrados na universidade, estudantes e pesquisadores da Unidade Ibirité experimentam o aprendizado por meio do saber corporificado (embodied knowledge), em que o movimento, a vibração sonora e a memória ancestral tornam-se ferramentas formais de investigação teórica, cênica e pedagógica. 
3. Desenvolvimento e Eixos Pedagógicos das Aulas O percurso formativo ministrado pelos Mestres na UEMG Ibirité articulou história, gestualidade e musicalidade em uma metodologia vivencial e reflexiva.

 ┌──────────────────────────────────────────────────┐ │ CENTRO ESPÍRITA NOSSA SENHORA DAS GRAÇAS (128 A) │ └────────────────────────┬─────────────────────────┘ │ ┌───────────────┴───────────────┐ ▼ ▼ MESTRA MÃE REGINA MESTRE GUINÉ (Danças Afro-Brasileiras) (Tambores e Arquétipos) │ │ ┌──────────┴──────────┐ ┌─────────┴──────────┐ ▼ ▼ ▼ ▼ 
Pretos Velhos Caboclos Rítmica dos Matrizes (Ancianidade/ (Altivez/ Atabaques Arquétipicas Enraizamento) Força) (Toques/Pulsão) (Expressão) 


3.1. Eixo Mestra Mãe Regina: Danças Afro-Brasileiras e Gestualidade Sagrada A condução pedagógica da Mestra Mãe Regina concentrou-se na pedagogia do movimento e no vocabulário gestual de duas linhas constitutivas da Umbanda: A Linha dos Pretos Velhos A dança caracteriza-se pela gravidade e pelo enraizamento. O corpo expressa a ancianidade por meio de movimentos curvados, pés firmes no chão e passos cadenciados, traduzindo valores como a paciência, a sustentação do tempo, a resiliência e o acolhimento. 
 Técnica Corporal: Exige flexão de joelhos, rebaixamento do centro de gravidade e economia de energia, construindo uma poética de cura, paciência e sabedoria ancestral. A Linha dos Caboclos Em contraposição, a gestualidade dos Caboclos evoca a altivez, a verticalidade e a territorialidade das matas. A movimentação é marcada pela expansão do tórax, braços abertos que simulam o empunhar do arco e da flecha, e pisadas firmes que demarcam o domínio do espaço.
 Técnica Corporal: Desenvolve a presença cênica, a firmeza postural, a agilidade e a conexão com a energia vital da natureza e dos territórios. 3.2. Eixo Mestre Guiné: Tambores, Ritmos Sagrados e Arquétipos Umbandistas Sob a regência do Mestre Guiné, as aulas abordaram a dimensão sônico-vibracional e a estrutura simbólica que rege as corporificações na Umbanda: A Rítmica dos Tambores Sagrados: O atabaque e os instrumentos de percussão não funcionam apenas como acompanhamento musical, mas como condutores energéticos e organizadores do espaço-tempo pedagógico. As variações rítmicas (como os toques Nagô, Ijexá e Congo de Ouro) possuem métricas específicas que orientam a aceleração, a pausa e a cadência dos passos dos praticantes. 
 Os Arquétipos Umbandistas: O Mestre Guiné trabalhou a relação entre a vibração dos toques e a evocação dos arquétipos das entidades. O estudo dos arquétipos permite entender essas figuras não apenas em termos religiosos, mas como matrizes de psicologia, identidade e expressão corporal (força, doçura, sabedoria, justiça). A percussão atua como o estímulo auditivo e motor que desencadeia a transformação da postura e da dinâmica do corpo no espaço. 


 4. Considerações Finais A integração dos saberes centenários do Centro Espírita Nossa Senhora das Graças, sob a condução da Mestra Mãe Regina e do Mestre Guiné no âmbito da UEMG - Unidade Ibirité, representa um marco para a construção de uma pedagogia universitária verdadeiramente plural, inclusiva e decolonial. Ao reunir a história viva de 128 anos de tradição, a riqueza gestual das danças de Pretos Velhos e Caboclos e a precisão rítmico-arquétipica dos tambores, a experiência demonstra que a ciência acadêmica se fortalece quando reconhece a legitimidade das tecnologias ancestrais de transmissão oral e corporal. Este trabalho reitera a necessidade contínua de abrir as portas do campus Ibirité para as comunidades de terreiro, garantindo a salvaguarda e a difusão do patrimônio cultural afro-brasileiro no ensino superior. 

 Referências Bibliográficas BIÃO, Armindo. Etnocenologia e a cena viva. Salvador: Editora UFBA, 2007. MIGNOLO, Walter. Histórias locais/projetos globais: colonialidade, saberes subalternos e pensamento liminar. Belo Horizonte: Editora UFMG, 2003. SIMAS, Luiz Antonio; RUFINO, Luiz. Fogo no mato: a ciência encantada das macumbas. Rio de Janeiro: Mork, 2018. WALSH, Catherine. Interculturalidad crítica y pedagogía decolonial: apuestas desde el in-surgir, re-existir y re-vivir. Quito: Universidad Andina Simón Bolívar, 2009.

sexta-feira, 10 de julho de 2026

Como a Capoeira Atua como Ferramenta de Inclusão e Cidadania para Crianças

 

Mais que uma Roda: Como a Capoeira Atua como Ferramenta de Inclusão e Cidadania para Crianças

Se você já presenciou o magnetismo de uma roda de capoeira, sabe que a energia ali é contagiante. O som do berimbau, o ritmo do palmeado e o coro que responde ao canto criam um ambiente único. Mas, para além da manifestação cultural e da atividade física, você já parou para pensar no impacto invisível — e profundo — que essa arte tem no desenvolvimento de uma criança?

Muitas vezes vista apenas como uma dança ou uma luta, a capoeira é, na verdade, um dos ecossistemas pedagógicos mais completos que existem. Quando levada para dentro de comunidades e projetos sociais, ela se transforma em uma chave poderosa para a inclusão social, a disciplina e a construção da cidadania.

Neste artigo, vamos explorar como o jogo da capoeira atua de forma prática para moldar o futuro das novas gerações.

O Berimbau como Professor: Disciplina com Afeto

Diferente de modalidades esportivas tradicionais que seguem regras rígidas e lineares, a capoeira ensina através da convivência, do axé e do respeito mútuo. Dentro de um ambiente de treino focado na educação, a criança entende desde cedo que a roda só acontece se houver colaboração. Não existe jogo de um homem só.

  • Respeito à Ancestralidade: O aluno aprende a ouvir os mais velhos, a respeitar o comando de quem está no berimbau e a entender o valor da tradição.

  • Autoestima e Pertencimento: A roda de capoeira oferece um lugar onde a criança é vista, ouvida e celebrada. Cada evolução de movimento, cada música decorada e cada batido de palma é uma vitória compartilhada que fortalece a autoconfiança de quem está começando.

[INSERIR FOTO: Uma foto bem bonita das crianças na roda ou tocando instrumentos]

Desenvolvimento Motor e Expressão Corporal na Infância

Do ponto de vista físico, a capoeira é impecável. Ela trabalha a lateralidade, a flexibilidade, o equilíbrio e a coordenação motora de forma totalmente lúdica.

Para uma criança em fase de crescimento, gingar, dar um rolê ou arriscar uma bênção não são apenas golpes de agilidade; são estímulos neurológicos e motores que refletem diretamente no seu desempenho escolar e na sua consciência corporal. A música entra como o fio condutor desse processo, desenvolvendo o ritmo, a percepção auditiva e a expressão vocal desde cedo.

Transformação Social: Da Roda para a Vida

A capoeira nasceu como um grito de liberdade e resistência, e essa essência se mantém viva até hoje. Em contextos onde faltam oportunidades de lazer, cultura e esporte, ela chega preenchendo lacunas, oferecendo uma alternativa de vida saudável, foco e horizontes ampliados para as famílias.

Projetos socioculturais que utilizam a capoeira como base não buscam formar apenas atletas ou exímios jogadores; o foco principal é formar cidadãos conscientes de seus direitos, jovens que valorizam sua cultura e que compreendem o peso real da palavra "comunidade".

[INSERIR FOTO: O grupo reunido, destacando a união e a alegria dos alunos]

Conclusão: A Importância de Apoiar a Cultura Popular

Apoiar a capoeira nas escolas, creches e núcleos comunitários é investir diretamente no futuro da nossa sociedade. É garantir que a história viva do nosso povo continue sendo contada e cantada de geração em geração, salvaguardando o nosso patrimônio imaterial.

Seja você um pai buscando uma atividade transformadora para seu filho, um educador ou um entusiasta da nossa cultura, lembre-se: a capoeira educa, inclui e liberta.

💬 Participe da nossa comunidade!

E você, já viu de perto o impacto da capoeira na vida de uma criança ou na sua própria trajetória? Deixe o seu comentário aqui embaixo compartilhando a sua história com a gente!

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quinta-feira, 2 de julho de 2026

Sete Lagoas tremeu: "Vem Jogar Mais Eu" consolida-se como o grande palco da Capoeira em Minas!

 

Sete Lagoas tremeu: "Vem Jogar Mais Eu" consolida-se como o grande palco da Capoeira em Minas!

Foto Minas Tem Capoeira


A energia da capoeira tomou conta de Sete Lagoas neste final de semana, e o resultado não poderia ter sido outro: um sucesso avassalador que já entra para a história da nossa cultura! O campeonato "Vem Jogar Mais Eu" transformou a cidade no epicentro da arte-luta, reunindo mais de 200 atletas inscritos em uma demonstração de força, técnica e tradição.

O que vimos foi simplesmente épico!

Não foi apenas um evento esportivo; foi uma celebração da identidade cultural mineira. Do primeiro berimbau afinado até o último golpe de capoeira, a arena vibrou com a entrega total de cada praticante. O público lotou as arquibancadas, criando uma atmosfera eletrizante que contagiou até os mais céticos, enquanto a crítica especializada já aponta: o nível técnico apresentado em Sete Lagoas atingiu um patamar elevadíssimo.

Por que o "Vem Jogar Mais Eu" fez história?

  • Recorde de Participação: Com mais de 200 atletas, o evento provou a força da união e o crescimento constante da capoeira em nossa região.

  • Sucesso de Público e Crítica: A organização impecável e o alto nível dos jogos conquistaram tanto os amantes da modalidade quanto os novos espectadores.

  • Vitrine Cultural: Sete Lagoas reafirmou sua posição estratégica no mapeamento cultural de Minas Gerais, servindo de palco para grandes nomes e promessas do esporte.

Para quem esteve lá, a memória do som dos atabaques e a destreza dos capoeiristas ficará marcada. Para quem não pôde comparecer, fica a certeza: o "Vem Jogar Mais Eu" não é apenas um campeonato, é o movimento que a nossa capoeira precisava para ganhar ainda mais fôlego.

A pergunta que fica é: se o nível de hoje já foi impressionante, o que podemos esperar da próxima edição? Sete Lagoas agradece por essa aula de resistência, arte e superação!

E você, o que achou dos melhores momentos desse encontro? Comente aqui no blog!

quinta-feira, 25 de junho de 2026

Nasce a Rede Nacional Capoeira e Cultura Viva: Articulação, Política e Fortalecimento

 

Nasce a Rede Nacional Capoeira e Cultura Viva: Articulação, Política e Fortalecimento

É com grande entusiasmo que anunciamos a consolidação da Rede Nacional Capoeira e Cultura Viva.

Esta rede não é uma escola, não é um grupo de capoeira específico e não funciona como uma associação tradicional. Somos uma estrutura de articulação política e mobilização, dedicada exclusivamente a debater, propor e fortalecer as políticas públicas voltadas para a Capoeira sob a égide da Política Nacional de Cultura Viva.

Nossa Força no Ambiente Digital

A capoeira é feita de corpo e movimento, mas hoje também se constrói através da incidência estratégica no ambiente digital. A Rede Nacional Capoeira e Cultura Viva já nasce com uma presença sólida e representativa:

  • Alcance Digital: Nossa página no Instagram já conecta e dialoga com mais de 7.500 pessoas, formando uma audiência engajada que valoriza o debate qualificado sobre a nossa cultura.

  • Articulação Direta: Contamos com grupos de WhatsApp que reúnem mais de 300 lideranças de todo o país. Este é o nosso "círculo de mestres e gestores", onde o diálogo é constante, a troca é horizontal e o compromisso com a causa é coletivo.

Qual é o nosso propósito?

A Capoeira precisa ser tratada como o patrimônio cultural que ela é. O objetivo da nossa rede é atuar nos espaços de tomada de decisão, garantindo que os fazedores de capoeira tenham voz ativa na construção das leis, editais e mecanismos que financiam e protegem as culturas de matriz popular.

Ao nos organizarmos através do viés da Cultura Viva, buscamos o reconhecimento dos nossos terreiros, academias e rodas como Pontos de Cultura, assegurando que o investimento público chegue a quem mantém a nossa tradição viva diariamente.

Somos uma rede de diálogo, planejamento e incidência política.

Convidamos todas as lideranças e praticantes que compartilham deste compromisso a caminharem conosco. A capoeira não pode ficar à margem das políticas culturais; ela precisa ser protagonista.

Rede Nacional Capoeira e Cultura Viva Articular para transformar. Fortalecer para perpetuar.

domingo, 19 de abril de 2026

A Raiz Ancestral: O que o Dia dos Povos Indígenas tem a ver com a nossa Capoeira?

 

Título: A Raiz Ancestral: O que o Dia dos Povos Indígenas tem a ver com a nossa Capoeira?

Por: Mestre Guiné | WebTV Capoeira Videos


Muitas vezes, ao falarmos de Capoeira, nosso pensamento voa imediatamente para a África. E com razão! Mas hoje, 19 de abril, convidamos você a olhar para o chão que pisamos. No Dia dos Povos Indígenas, é fundamental reconhecer que a Capoeira, como
manifestação genuinamente brasileira, bebeu também da fonte dos povos originários.

O Encontro de Culturas na Mata

A Capoeira que praticamos hoje é fruto de um caldeirão cultural. Historicamente, os quilombos não eram formados apenas por africanos escravizados, mas também por indígenas que resistiam à colonização. Nesse encontro de resistências, houve troca de saberes:

  • A caça e a sobrevivência: Táticas de emboscada e movimentação baixa.

  • A medicina natural: O uso de ervas que muitos mestres antigos dominavam.

  • O Berimbau: Embora sua origem seja africana, o arco musical encontrou no Brasil madeiras e cabaças que deram a sonoridade que conhecemos hoje.

O "Caboclo" na Roda

Quem nunca cantou um ponto ou uma louvação mencionando o "Caboclo"? Na cosmologia da Capoeira e de diversas religiões de matriz africana que caminham juntas, o Caboclo representa a força da terra, o dono da mata, o espírito guerreiro que não se curva. Respeitar o dia de hoje é honrar essa entidade que vive na nossa musicalidade e no nosso axé.

Preservação e Futuro

Assim como lutamos para que a Capoeira seja reconhecida e respeitada nas escolas e políticas públicas, os povos indígenas lutam pela demarcação de suas terras e pela manutenção de suas línguas e costumes.

A resistência de um é a resistência de todos.

domingo, 5 de abril de 2026

Oficio do Mestre na Comissao de Cultura da ALMG- Fala do Mestre Guine


 

Oficio do Mestre - Rodas na Abertura da Mostra Contagem


 

Oficio do Mestre - Roda na Feira Preta


 

Oficio do Mestre Contagem - Roda do Bairro Industrial


 

Oficio do Mestre Contagem . Roda do Bairro Nacional


 

Movimento ancestral - Oficio do Mestre Roda no Eldorado


 

Mestre Guine e Deputada Andreia de Jesus no CRJ falando sobre o Afromineridade Capoeira