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quinta-feira, 23 de julho de 2026

🪘 Neves em Movimento: Capoeira, Ancestralidade e Acesso às Políticas Públicas no Território

 


No dia 05 de julho, o município de Ribeirão das Neves viveu um marco histórico na celebração e no fortalecimento da cultura popular. O evento Ribeirão das Neves em Movimento da Capoeira, idealizado pelo Mestre Macarrão e realizado em conjunto com a Comissão de Mestres e Grupos de Neves, reuniu mais de 20 grupos de capoeira em uma grande jornada de integração, aprendizado prático e afirmação de direitos.

🤸‍♂️ Aulas Práticas e Vivências: Tradição no Pé do Berimbau

A transmissão oral e prática do saber ficou a cargo de grandes referências do setor:

  • Mestra Lili: Trouxe a força e a ancestralidade feminina para o centro do aprendizado.

  • Mestrando Lagartixa: Comandou movimentações focadas na técnica, agilidade e dinâmica de jogo.

  • Mestre Dino: Conduziu momentos de fundamentos tradicionais, reforçando a disciplina e o respeito às raízes.

  • Instrutor Coyote: Contribuiu com metodologias dinâmicas de treino, integrando todos os alunos.

🏛️ Palestras e Diálogo Político

O encontro contou com momentos decisivos de formação sobre direitos e gestão cultural:

  • Mestre Guiné: Apresentou caminhos para a desburocratização dos editais de fomento (como FEC e PNAB) e defendeu a Capoeira como tecnologia social, patrimônio imaterial e vetor socioeducativo nas periferias.

  • Deputada Andréia de Jesus: Pautou a urgência de incluir a periferia e os povos tradicionais no orçamento público, destacando a articulação de emendas e o combate ao racismo estrutural através da cultura.

🤝 União e Fortalecimento do Território

A iniciativa do Mestre Macarrão e da Comissão de Mestres de Ribeirão das Neves deixa um legado claro: quando a comunidade se organiza e pauta os seus direitos junto às lideranças, o berimbau ecoa com ainda mais força nos espaços de decisão.

A Grandeza do Mundial FICAG 2026 sob a Liderança do Grande Mestre Museu em BH e no Mundo !!!

 


Belo Horizonte viveu dias inesquecíveis que entrarão para a história da capoeira mundial. O auditório do tradicional Colégio Tiradentes transformou-se no grande palco do Mundial de Capoeira da FICAG (Fundação Internacional Capoeira Artes das Gerais), um evento monumental idealizado e organizado pelo Mestre Museu — figura de destaque e referência da nossa capoeiragem belo-horizontina.

Diante de um público vibrante de cerca de 1.000 pessoas, o evento demonstrou toda a força, a disciplina e a beleza socioeducativa do trabalho que o Mestre Museu constrói e expande para o mundo.

🪘 Cursos com Grandes Nomes da Capoeira Mundial e Formatura Histórica

O Mundial foi uma verdadeira imersão na essência e nos fundamentos da arte. Durante a programação, os participantes tiveram a oportunidade de vivenciar cursos e oficinas ministrados por renomados Mestres de todo o Brasil e do exterior, promovendo um intercâmbio cultural e técnico inestimável.

Um dos momentos mais marcantes e emocionantes do encontro foi a Formatura de Mestres e Formandos:

  • Reconhecimento da Trajetória: A entrega de novas graduações selou anos de dedicação, disciplina e respeito às raízes da Capoeira.

  • Renovação da Liderança: Ver novos formandos e mestres assumindo a responsabilidade de dar continuidade aos fundamentos ancestrais emociona e garante a preservação do nosso patrimônio imaterial.

🏆 Campeonato Mundial: Técnica, Respeito e Superação

A competição foi um espetáculo à parte na arena do Colégio Tiradentes. As disputas das categorias Masculina e Feminina reuniram atletas e capoeiristas de altíssimo nível:

  • Equidade e Alto Rendimento: O campeonato destacou a força e a plasticidade do jogo, com jogos disputados, mas marcados pela lealdade e pela camaradagem tradicional das rodas.

  • Vitrine para Jovens Talentos: Para os alunos e projetos socioculturais —, ver os maiores nomes da modalidade em ação serve de combustível e inspiração para as futuras gerações.

🏛️ O Impacto e o Legado para Belo Horizonte

Reunir cerca de mil pessoas em um espaço como o auditório do Colégio Tiradentes reafirma que a Capoeira, quando conduzida com profissionalismo e propósito, movimenta a economia criativa, o turismo cultural e a inclusão social.

O Mestre Museu e toda a família FICAG estão de parabéns por organizarem um evento impecável, que colocou Belo Horizonte no topo do cenário mundial e mostrou o real valor da nossa cultura viva.

A TV Capoeira Videos esteve presente representada pelo Mestre Guine com a Live das Formaturas momento emocionante e de grande impacto nas Redes . 

Fomento e Salvaguarda: 1ª Reunião do Conselho de Capoeira de Ibirité

 

Fomento e Salvaguarda: 1ª Reunião do Conselho de Capoeira de Ibirité



A Primeira Reunião do Conselho de Capoeira de Ibirité marcou um passo histórico na articulação entre as lideranças tradicionais e as políticas públicas municipais, definindo estratégias para a salvaguarda, a Rede Cultura Viva e a captação de recursos para o setor.

O encontro reuniu grandes referências como Mestre Edvaldo, Mestra Sereia, Mestre Pacote, Contramestre Macaquinho e Mestre Guiné (gestor do Ponto de Cultura Centro Espírita Nossa Senhora das Graças), além de diversas outras lideranças e representantes da comunidade, unindo forças para estruturar a atuação da Capoeira no município.

🏛️ Diretrizes Estratégicas: Captação, Cultura Viva e Políticas Públicas

  1. Captação de Recursos e Editais Públicos:

    • Orientações práticas para acesso ao Fundo Estadual de Cultura (FEC), recursos da Política Nacional Aldir Blanc (PNAB) e leis de fomento.

    • Capacitação dos grupos locais para a elaboração de projetos desburocratizados e captação direta.

  2. Fortalecimento da Rede Cultura Viva:

    • Consolidação da Capoeira como patrimônio imaterial e vetor socioeducativo na cidade.

    • Integração dos coletivos à rede nacional e estadual de Pontos de Cultura.

  3. Mapeamento e Diagnóstico Territorial:

    • Levantamento detalhado das academias, projetos socioculturais e mestres em atividade nas diferentes regiões e periferias de Ibirité.

  4. Inserção Socioeducativa e Letramento Racial:

    • Estratégias para ampliar a presença da Capoeira nas escolas e centros comunitários como ferramenta de inclusão e combate ao racismo estrutural.

  5. Organização do Calendário Oficial:

    • Alinhamento de datas e eventos para garantir visibilidade e apoio institucional do poder público municipal às rodas e encontros ao longo do ano.

💬 Faça parte dessa construção!

Como a sua academia ou grupo tem se preparado para acessar os editais de fomento na cidade? Deixe seu comentário e compartilhe este registro!

Movimento Ancestral – Ofício do Mestre: Tradição, Política Pública e Roda Viva no CESU Industrial


A salvaguarda da cultura popular e a valorização do patrimônio imaterial ganharam mais um capítulo fundamental em Minas Gerais. O CESU Industrial foi palco do encontro "Movimento Ancestral – Ofício do Mestre", uma iniciativa que reuniu debate institucional, vivência comunitária e a força da tradição viva em um único espaço.

Gerido pela Move Cultura e viabilizado por meio de emenda parlamentar da deputada estadual Macaé Evaristo, o evento destacou-se pela articulação entre a tradição oral e a gestão de políticas públicas culturais no estado.

🏛️ Política Pública e Capoeira: O Ofício do Mestre em Pauta

A abertura do encontro contou com a palestra ministrada por Mestre Guiné, supervisor técnico do programa, ativista cultural e gestor do Ponto de Cultura Centro Espírita Nossa Senhora das Graças. Com vasta bagagem na coordenação de projetos socioculturais e na comunicação comunitária, Mestre Guiné abordou a urgência do fortalecimento da Capoeira no âmbito das políticas públicas institucionais.

Durante sua exposição, foram debatidos pontos centrais para a categoria:

  • Fomento e Sustentabilidade: A necessidade de simplificação no acesso aos mecanismos estaduais de incentivo, garantindo repasse direto e valorização aos verdadeiros detentores do saber tradicional.

  • Salvaguarda do Ofício: O reconhecimento da Capoeira não apenas como esporte, mas como tecnologia social, patrimônio cultural imaterial e vetor de economia criativa.

  • Educação e Cidadania: O papel dos mestres e dos projetos socioculturais como instrumentos de combate ao racismo estrutural, letramento racial e inclusão nas periferias.

🪘 A Força do Samba de Roda com Mametu Nebanvula

A energia da celebração ancestral tomou conta do espaço com a vivência de Samba de Roda, conduzida por Mametu Nebanvula (Mestra Luzelena de Fátima), liderança do Ponto de Cultura Samba do Lagedo e referência do Coletivo Manzo Ngunzo Kiamase.

A oficina proporcionou uma imersão nos fundamentos do ritmo, dos cantos e da dança comunitária:

  • Conexão com a Matriz Africana: A vivência resgatou os toques ancestrais e a musicalidade que entrelaçam a memória dos terreiros, o Congado, o Candomblé e a Capoeira em Minas Gerais.

  • Transmissão Oral de Saberes: A presença vibrante da Mestra reafirmou o papel das guardiãs da memória na preservação das culturas tradicionais, conectando os participantes às raízes profundas da Afromineiridade.

🤸‍♂️ A Roda Final: Condução e Celebração no Pé do Berimbau

Para coroar a jornada de aprendizado e troca, a grande Roda de Capoeira final foi conduzida pelo Mestrando Camaleão (ABADÁ-Capoeira).

Com energia, fundamento e respeito às diferentes escolas, a roda sob a condução do Mestrando Camaleão colocou em prática a integração de mestres, capoeiristas de diversas graduações e a comunidade presente, encerrando o evento em um verdadeiro ritual de celebração e união da arte do berimbau.

🤝 Parceria Estratégica e Legado Cultural

A realização do Movimento Ancestral – Ofício do Mestre reflete a relevância do trabalho em rede:

  1. Gestão Cultural Eficiente: A Move Cultura atuou na viabilização operacional e estrutural do projeto, garantindo acessibilidade e execução de excelência.

  2. Investimento Público Consciente: O aporte via emenda parlamentar da deputada Macaé Evaristo reafirma o compromisso com a pauta da igualdade racial, da valorização dos mestres populares e do fortalecimento dos territórios periféricos.

Iniciativas como essa demonstram que a preservação do patrimônio imaterial se faz com diálogo político, ocupação dos espaços públicos e corpo em movimento.

quarta-feira, 22 de julho de 2026

Tecnologia, Tradição e Ancestralidade: Projeto "Capoeira Drone" Celebra 128 Anos do Ponto de Cultura Centro e Nossa Senhora das Graças

 


Tecnologia, Tradição e Ancestralidade: Projeto "Capoeira Drone" Celebra 128 Anos do Ponto de Cultura Centro e Nossa Senhora das Graças

A tecnologia e a cultura popular tradicional voltam a se dar as mãos na Região Metropolitana de Belo Horizonte. Em uma ação inédita que une memória cultural e inovação audiovisual, o Ponto de Cultura Centro e Nossa Senhora das Graças, em parceria com o Ponto de Cultura Capoeira Vídeos, lança oficialmente o Projeto Capoeira Drone.

A iniciativa marca as comemorações dos 128 anos de dedicação do Ponto de Cultura Centro e Nossa Senhora das Graças à comunidade e à salvaguarda das tradições locais.

O Olhar do Alto Para Fortalecer Nossas Raízes

O projeto vai oferecer 13 coberturas de drone 100% gratuitas direcionadas a Pontos de Cultura de Capoeira e expressões da Cultura Afro-Popular atuantes na RMBH.

O objetivo principal é registrar a dinâmica, a geometria e a energia das rodas, festejos e celebrações a partir de uma perspectiva aérea profissional. Além do impacto estético, as filmagens servirão como acervo de memória e material de alta qualidade para portfólios, divulgação digital e prestação de contas de projetos culturais.

Inclusão Tecnológica com Reconhecimento Internacional

A parceria com o Ponto de Cultura Capoeira Vídeos traz para o projeto uma bagagem sólida de inovação e impacto social. O coletivo foi vencedor do Prêmio do Projeto Revoada, concedido pela ONU em 2022, justamente pelo trabalho de excelência na inserção tecnológica dentro da comunidade afro.

Unir a trajetória de 128 anos de resistência comunitária do Centro e Nossa Senhora das Graças com o know-how tecnológico do Capoeira Vídeos reafirma que a tradição afro-brasileira também é espaço de vanguarda, audiovisual e transformação digital.

Quem Pode Participar e Como Funciona?

  • O que é: 13 coberturas audiovisuais aéreas (drone) gratuitas.

  • Público-alvo: Coletivos, terreiros, grupos de Capoeira e Pontos de Cultura Afro-Popular.

  • Onde: Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH).

  • Custo: Totalmente gratuito.

  • Vagas: Apenas 13 contemplados.

As vagas são limitadas para garantir a entrega técnica e a qualidade da pós-produção de cada uma das coberturas.

Mande mensagem no wattsapp e agende a sua cobertura 

terça-feira, 21 de julho de 2026

Mãe Ieda (In Memoriam) e o Julho das Pretas: Matriarcado, Memória e Resistência Ancestral

Mãe Ieda (In Memoriam) e o Julho das Pretas: Matriarcado, Memória e Resistência Ancestral

Mestra Mae Ieda

Resumo: Este artigo analisa a convergência entre a agenda política do Julho das Pretas e a preservação da memória de Mãe Ieda (In Memoriam), matriarca e benzedeira do Centro Espírita Nossa Senhora das Graças. O estudo aborda a liderança religiosa e comunitária das mulheres negras como uma tecnologia ancestral de cura, acolhimento social e salvaguarda do patrimônio cultural afro-mineiro, demonstrando como a transmissão oral e a pedagogia de terreiro sustentam as lutas contemporâneas antirracistas no Brasil.

Palavras-chave: Mãe Ieda. Julho das Pretas. Centro Espírita Nossa Senhora das Graças. Matriarcado. Ancestralidade. Patrimônio Imaterial.

1. Introdução

O mês de julho consolida-se no calendário nacional como um período central para a visibilidade e a mobilização política das mulheres negras no Brasil. No âmbito das celebrações do Dia Internacional da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha e do Dia Nacional de Tereza de Benguela (25 de julho), o movimento Julho das Pretas pauta o combate ao racismo estrutural, ao machismo e às desigualdades sociais, promovendo o protagonismo e a busca pelo bem-viver.

Nesse cenário de reafirmação de direitos, a homenagem à memória de Mãe Ieda (In Memoriam) emerge como um compromisso com a história da cultura afro-brasileira em Minas Gerais. Liderança e guardiã do Centro Espírita Nossa Senhora das Graças — instituição centenária que atua como ponto de convergência comunitária e salvaguarda do patrimônio imaterial —, Mãe Ieda personificou a união entre a devoção sagrada, o acolhimento social e a resistência política.

Este artigo analisa a trajetória de Mãe Ieda no contexto do Julho das Pretas, evidenciando como a sabedoria das matriarcas de terreiro fundamenta a continuidade das lutas emancipatórias das mulheres negras contemporâneas.

2. Fundamentação Teórica: O Matriarcado Negro e a Pedagogia do Terreiro

A atuação das lideranças femininas de matriz africana no Brasil dialoga diretamente com os conceitos de ancestralidade, decolonialidade e patrimônio vivo. Conforme destacam os estudos sobre as corporatividades afro-diaspóricas (SIMAS & RUFINO, 2018), o terreiro e os centros de tradição funcionam como polos de resistência cultural e social diante do apagamento histórico promovido pela colonialidade.

"O saber da matriarca não se restringe ao espaço ritualístico; ele constitui uma tecnologia social de preservação da vida, onde a reza, o uso das ervas e o acolhimento funcionam como ferramentas formais de saúde, cidadania e proteção comunitária."

A trajetória de Mãe Ieda insere-se nessa tradição de cuidado integral. Na condição de benzedeira e guardiã de costumes seculares, sua liderança demonstrou que a preservação da memória e a transmissão oral para os mais jovens são pilares indispensáveis para a construção da identidade e do pertencimento étnico-racial.

3. Desenvolvimento: A Tradição em Ato no Centro Espírita Nossa Senhora das Graças

O Centro Espírita Nossa Senhora das Graças construiu uma história sólida de articulação comunitária e salvaguarda da cultura afro-mineira. Sob a regência de Mãe Ieda, a instituição consolidou sua atuação a partir de eixos fundamentais:

  • Práticas de Cura e Medicina Popular: O exercício do benzedor, o conhecimento das folhas e a escuta acolhedora como recursos de saúde física e espiritual para a população periférica.

  • Acolhimento Comunitário: A transformação do espaço tradicional em um centro de apoio social, garantindo a sustentação de famílias e a promoção da dignidade humana.

  • Salvaguarda das Expressões Tradicionais: O fortalecimento do Ponto de Cultura, incentivando manifestações como a capoeira, as danças tradicionais e a preservação dos ritmos sagrados como estratégias de formação cidadã.

                    MÃE IEDA (IN MEMORIAM)
        (Matriarca, Benzedeira e Guardiã das Tradições)
                             │
                             ▼
            CENTRO ESPÍRITA NOSSA SENHORA DAS GRAÇAS
            (Preservação do Patrimônio e da Memória)
                             │
                             ▼
                     JULHO DAS PRETAS
       (Afirmação Política, Visibilidade e Continuidade)
                             │
            ┌────────────────┴────────────────┐
            ▼                                 ▼
   Acolhimento Comunitário          Fortalecimento da Identidade
   e Justiça Social                 e da Cultura Afro-Mineira

No Julho das Pretas, a exaltação a Mãe Ieda reafirma a premissa de que a marcha e as conquistas do movimento negro atual só são possíveis porque matriarcas pavimentaram o caminho em momentos de adversidade. O reconhecimento de seu legado combate o apagamento histórico e reafirma a relevância das mulheres negras na formação cultural e social do país.

4. Considerações Finais

A preservação da memória de Mãe Ieda (In Memoriam) no âmbito do Julho das Pretas representa um ato de justiça histórica e de afirmação dos saberes ancestrais.

A vida e a obra de Mãe Ieda no Centro Espírita Nossa Senhora das Graças demonstram que a verdadeira liderança se consolida no compromisso diário com a comunidade, com a cultura popular e com a dignidade humana. Seu legado permanece vivo nas práticas de ensino, nas manifestações de rua, na capoeira e na continuidade das ações antirracistas, inspirando novas gerações a manterem acesa a chama da resistência e do bem-viver.

Referências Bibliográficas

  • BIÃO, Armindo. Etnocenologia e a cena viva. Salvador: Editora UFBA, 2007.

  • MIGNOLO, Walter. Histórias locais/projetos globais: colonialidade, saberes subalternos e pensamento liminar. Belo Horizonte: Editora UFMG, 2003.

  • SIMAS, Luiz Antonio; RUFINO, Luiz. Fogo no mato: a ciência encantada das macumbas. Rio de Janeiro: Mork, 2018.

  • WALSH, Catherine. Interculturalidad crítica y pedagogía decolonial: apuestas desde el in-surgir, re-existir y re-vivir. Quito: Universidad Andina Simón Bolívar, 2009.

Capoeira e Jogos Africanos na Formação e na Escola: A Pedagogia Decolonial do Projeto "Educando Capoeira" no Programa Egbara Wa (UEMG)

 

Capoeira e Jogos Africanos na Formação e na Escola: A Pedagogia Decolonial do Projeto "Educando Capoeira" no Programa Egbara Wa (UEMG)

Resumo: Este artigo analisa a experiência pedagógica e extensionista do projeto Educando Capoeira, conduzido pelo Mestre Guiné no âmbito do Programa Saberes Tradicionais — Egbara Wa, da Universidade do Estado de Minas Gerais (UEMG), sob a coordenação da Professora Dra. Vitória Régia. O estudo investiga a metodologia do projeto, estruturada de forma integrada entre a formação acadêmica — por meio de palestras na Faculdade de Educação (FaE/UEMG - Unidades Ibirité e Cidade Jardim) — e a aplicação prática através de oficinas de Capoeira e Jogos Africanos para estudantes do Ensino Médio em escolas públicas. Destaca-se a trajetória de mais de dois decênios do Mestre Guiné na Educação Infantil e Básica como Mestre dos Saberes Tradicionais. Conclui-se que o projeto consolida uma práxis decolonial eficaz no combate ao racismo estrutural e na aproximação entre universidade, escola e saberes populares.

Palavras-chave: Educando Capoeira. Mestre Guiné. Saberes Tradicionais. FaE-UEMG. Jogos Africanos. Ensino Médio. Decolonialidade.

1. Introdução

A inclusão dos saberes e práticas corporais de matriz africana no espaço universitário e na educação básica consolida-se como um movimento urgente de decolonização do conhecimento e enfrentamento ao racismo estrutural. Historicamente, o sistema educacional ocidentalizado privilegiou a escrita e a racionalidade cartesiana, relegando a oralidade, o jogo ancestral, a corporalidade e as tecnologias populares a um lugar secundário na produção científica e pedagógica formal.

No âmbito da Universidade do Estado de Minas Gerais (UEMG) — articulando a Faculdade de Educação (FaE/Ibirité) e a Unidade Cidade Jardim (BH) —, essa transformação epistemológica ganhou materialidade através do Programa Saberes Tradicionais — Egbara Wa, sob a coordenação da Professora Dra. Vitória Régia. O programa foi concebido para aproximar a formação acadêmica do conhecimento vivo dos mestres da cultura popular, em pleno alinhamento às Leis Federais 10.639/03 e 11.645/08.

Foi no contexto do Egbara Wa que o Mestre Guiné — reconhecido Mestre dos Saberes Tradicionais com uma trajetória de mais de 20 anos de atuação dedicada à Educação Infantil e Ensino Básico — implementou as ações do seu projeto Educando Capoeira. A proposta metodológica desdobrou-se em dois ambientes complementares de atuação:

  • Palestras Acadêmicas na Universidade (FaE-UEMG): Espaço de reflexão teórica, debate e transmissão oral direcionado a licenciandos, docentes e pesquisadores sobre a decolonialidade, a ludicidade afro-diaspórica e a importância dos mestres tradicionais na educação.

  • Oficinas Práticas nas Escolas (Ensino Médio): Aplicação direta dos Jogos Africanos e da Capoeira junto a estudantes do Ensino Médio da rede pública, promovendo o pertencimento étnico-racial, a conscientização histórica e o desenvolvimento socioemocional.

Este artigo analisa essa articulação entre universidade, escola pública e saber tradicional, demonstrando o impacto do projeto Educando Capoeira na formação de novos educadores e na juventude periférica.

2. Fundamentação Teórica: Trajetória, Saberes Tradicionais e Decolonialidade

A fundamentação do projeto Educando Capoeira assenta-se na bagagem acumulada do Mestre Guiné ao longo de mais de duas décadas de experiência com a infância e a juventude. A validação do Mestre de Saberes Tradicionais no ambiente universitário rompe com a hierarquia eurocêntrica que reconhece apenas o título acadêmico formal como fonte legítima de saber (MIGNOLO, 2003; WALSH, 2009).

"A capoeira e os jogos tradicionais africanos na escola e na universidade não são meras atividades recreativas; constituem tecnologias ancestrais de transmissão de filosofia, ética, estratégia corporal, musicalidade e preservação da memória histórica da diáspora."

— (Reflexão inspirada em SIMAS & RUFINO, 2018)

A experiência acumulada pelo Mestre Guiné na Educação Infantil traz uma sensibilidade pedagógica única para o trabalho com estudantes do Ensino Médio e para as palestras na FaE-UEMG. O jogo e a roda funcionam como linguagens de acolhimento, permitindo desconstruir o racismo estrutural e reconstruir a autoimagem de jovens negros e não negros no ambiente escolar.

3. Desenvolvimento e Metodologia do Projeto no Egbara Wa

A estrutura do projeto Educando Capoeira no Programa Egbara Wa desenhou um fluxo contínuo entre a teoria acadêmica e a práxis escolar:

                  ┌──────────────────────────────────────────────────┐
                  │             MESTRE GUINÉ (20+ ANOS)              │
                  │         Mestre dos Saberes Tradicionais          │
                  └────────────────────────┬─────────────────────────┘
                                           │
                                           ▼
                       PROGRAMA SABERES TRADICIONAIS — EGBARA WA
                  (UEMG Cidade Jardim / FaE Ibirité | Coord. Prof.ª Vitória)
                                           │
                           ┌───────────────┴───────────────┐
                           ▼                               ▼
                 PALESTRAS NA UNIVERSIDADE        OFICINAS NAS ESCOLAS
                    (FaE/UEMG - Acadêmicos)        (Estudantes do Ensino Médio)
                           │                               │
                ┌──────────┴──────────┐          ┌─────────┴──────────┐
                ▼                     ▼          ▼                    ▼
           Teoria da             Valorização    Jogos Africanos      Capoeira e
         Decolonialidade          dos Saberes    Tradicionais        Roda Ancestral

3.1. As Palestras na Faculdade de Educação (FaE/UEMG)

Nas palestras ministradas para a comunidade universitária, o Mestre Guiné abordou a urgência de integrar os Saberes Tradicionais nos currículos de formação de professores. Apresentou o projeto Educando Capoeira como um estudo de caso bem-sucedido, demonstrando como as metodologias construídas na Educação Infantil ao longo de 20 anos podem fundamentar práticas pedagógicas antirracistas e inclusivas no ensino superior.

3.2. As Oficinas Práticas nas Escolas Públicas (Ensino Médio)

Nas escolas parceiras, as oficinas com os estudantes do Ensino Médio focaram em dois eixos lúdico-corporais:

  • Jogos Africanos Tradicionais: Vivência de jogos e brincadeiras de diversas regiões do continente africano, desenvolvendo raciocínio tático, cooperação, foco, agilidade e valorização da cultura ancestral.

  • Capoeira Ancestral e Pedagógica: A prática da roda, do canto, da musicalidade (berimbau, atabaque, pandeiro) e da movimentação, oferecendo aos jovens do Ensino Médio uma ferramenta potente de expressão, disciplina consciente e orgulho de suas raízes.

4. Considerações Finais

A realização do projeto Educando Capoeira no âmbito do Programa Saberes Tradicionais — Egbara Wa, sob a coordenação da Professora Dra. Vitória Régia na UEMG (FaE/Ibirité e Cidade Jardim), representa um modelo exemplar de integração entre a universidade pública, a escola de Educação Básica e a comunidade.

A trajetória de mais de 20 anos do Mestre Guiné na Educação Infantil e sua atuação como Mestre dos Saberes Tradicionais demonstraram que a ponte entre palestras acadêmicas e oficinas com jovens do Ensino Médio é o caminho para uma transformação educacional verdadeira. O projeto reafirma que combater o racismo estrutural exige reconhecer e vivenciar as tecnologias ancestrais dos jogos africanos e da capoeira como saberes fundamentais para a formação humana e cidadã.

Referências Bibliográficas

  • BIÃO, Armindo. Etnocenologia e a cena viva. Salvador: Editora UFBA, 2007.

  • MIGNOLO, Walter. Histórias locais/projetos globais: colonialidade, saberes subalternos e pensamento liminar. Belo Horizonte: Editora UFMG, 2003.

  • SIMAS, Luiz Antonio; RUFINO, Luiz. Fogo no mato: a ciência encantada das macumbas. Rio de Janeiro: Mork, 2018.

  • WALSH, Catherine. Interculturalidad crítica y pedagogía decolonial: apuestas desde el in-surgir, re-existir y re-vivir. Quito: Universidad Andina Simón Bolívar, 2009.

MESTRE GUINE E MAE REGINA e o Ponto de Cultura CENSG NA Universidade Estadual de Minas Gerais - UEMG


Saberes de Terreiro na Academia: 


A Pedagogia das Danças Afro-Brasileiras, Ritmos Sagrados e Memória Centenária na UEMG Ibirité
Resumo: Este artigo analisa a experiência pedagógica e de extensão desenvolvida na Universidade do Estado de Minas Gerais (UEMG) - Unidade Ibirité, pautada nas sabedorias e práticas corporais do Centro Espírita Nossa Senhora das Graças. A partir da salvaguarda de uma tradição secular de 128 anos, o estudo investiga a inserção das Danças Afro-Brasileiras e dos Toques Sagrados no ensino superior. Sob a regência da Mestra Mãe Regina, analisam-se as manifestações gestuais das danças dos Pretos Velhos e Caboclos. Sob a condução do Mestre Guiné, examina-se a relação entre a rítmica dos tambores e a estruturação dos arquétipos umbandistas. Conclui-se que a presença dos mestres tradicionais na universidade tenciona o cânone eurocêntrico, promovendo uma decolonização do saber por meio do corpo e do ritmo no campo da formação acadêmica e extensionista.
Palavras-chave: Danças Afro-Brasileiras. Umbanda. UEMG Ibirité. Pretos Velhos. Caboclos. Tambores Sagrados. 
Decolonialidade. 1. Introdução A inclusão dos saberes tradicionais de matriz africana e afro-indígena no espaço universitário consolida-se como um movimento urgente de decolonização do conhecimento e validação das epistemologias de terreiro. Historicamente, a universidade de matriz ocidental estabeleceu uma hierarquia que privilegiou a escrita e a racionalidade cartesiana, relegando a oralidade, a sabedoria ancestral e as expressões corporais a um lugar secundário na produção científica formal. No contexto da Universidade do Estado de Minas Gerais (UEMG) - Unidade Ibirité, instituição com marcante atuação na formação de educadores e no desenvolvimento de projetos de extensão comunitária e cultural, o diálogo entre a tradição oral e a formação acadêmica encontrou um terreno férito na vivência proporcionada pelo Centro Espírita Nossa Senhora das Graças — instituição centenária que acumula 128 anos de história, resistência e salvaguarda da memória comunitária e religiosa em Minas Gerais. A transmissão desses saberes no ambiente acadêmico da UEMG Ibirité estruturou-se a partir de dois eixos prático-conceituais fundamentais: Mestra Mãe Regina: Condução do ensino das Danças Afro-Brasileiras, voltando o olhar pedagógico para as expressões rituais e corporais das linhas dos Pretos Velhos e dos Caboclos. Mestre Guiné: Abordagem da dimensão rítmico-sonora, trabalhando os tambores sagrados, suas cadências e a articulação dos arquétipos umbandistas no corpo em movimento. Este artigo busca documentar e analisar criticamente essa experiência, refletindo sobre como a aliança entre a história centenária do terreiro, a dança e a musicalidade contribui para a formação de uma práxis pedagógica integrada, sensível e pautada no patrimônio cultural imaterial. 
2. Fundamentação Teórica: O Terreiro como Matriz Epistêmica A presença dos saberes tradicionais na UEMG Ibirité estabelece um diálogo direto com os conceitos de decolonização do saber (MIGNOLO, 2003; WALSH, 2009). Romper com o viés eurocêntrico da academia exige não apenas diversificar a bibliografia teórica, mas reconfigurar quem ensina e quais metodologias são reconhecidas como válidas na sala de aula universitária. "O corpo no terreiro é o próprio documento e suporte de memória. Não há separação entre a razão que pensa e o corpo que dança; o conhecimento é corporificado e vivido na experiência do rito e do ritmo." > — (Reflexão inspirada em SIMAS & RUFINO, 2018) Nesse panorama, o Centro Espírita Nossa Senhora das Graças, ao longo de seus 128 anos de existência, atua como um verdadeiro espaço epistêmico — um polo produtor de ciência popular, filosofia e preservação do patrimônio imaterial. A transposição desse acervo centenário para a sala de aula universitária desmistifica o terreiro como mero espaço de culto, posicionando-o como centro gerador de pedagogia, arte e cultura. Ao vivenciar as danças e os toques sagrados na universidade, estudantes e pesquisadores da Unidade Ibirité experimentam o aprendizado por meio do saber corporificado (embodied knowledge), em que o movimento, a vibração sonora e a memória ancestral tornam-se ferramentas formais de investigação teórica, cênica e pedagógica. 
3. Desenvolvimento e Eixos Pedagógicos das Aulas O percurso formativo ministrado pelos Mestres na UEMG Ibirité articulou história, gestualidade e musicalidade em uma metodologia vivencial e reflexiva.

 ┌──────────────────────────────────────────────────┐ │ CENTRO ESPÍRITA NOSSA SENHORA DAS GRAÇAS (128 A) │ └────────────────────────┬─────────────────────────┘ │ ┌───────────────┴───────────────┐ ▼ ▼ MESTRA MÃE REGINA MESTRE GUINÉ (Danças Afro-Brasileiras) (Tambores e Arquétipos) │ │ ┌──────────┴──────────┐ ┌─────────┴──────────┐ ▼ ▼ ▼ ▼ 
Pretos Velhos Caboclos Rítmica dos Matrizes (Ancianidade/ (Altivez/ Atabaques Arquétipicas Enraizamento) Força) (Toques/Pulsão) (Expressão) 


3.1. Eixo Mestra Mãe Regina: Danças Afro-Brasileiras e Gestualidade Sagrada A condução pedagógica da Mestra Mãe Regina concentrou-se na pedagogia do movimento e no vocabulário gestual de duas linhas constitutivas da Umbanda: A Linha dos Pretos Velhos A dança caracteriza-se pela gravidade e pelo enraizamento. O corpo expressa a ancianidade por meio de movimentos curvados, pés firmes no chão e passos cadenciados, traduzindo valores como a paciência, a sustentação do tempo, a resiliência e o acolhimento. 
 Técnica Corporal: Exige flexão de joelhos, rebaixamento do centro de gravidade e economia de energia, construindo uma poética de cura, paciência e sabedoria ancestral. A Linha dos Caboclos Em contraposição, a gestualidade dos Caboclos evoca a altivez, a verticalidade e a territorialidade das matas. A movimentação é marcada pela expansão do tórax, braços abertos que simulam o empunhar do arco e da flecha, e pisadas firmes que demarcam o domínio do espaço.
 Técnica Corporal: Desenvolve a presença cênica, a firmeza postural, a agilidade e a conexão com a energia vital da natureza e dos territórios. 3.2. Eixo Mestre Guiné: Tambores, Ritmos Sagrados e Arquétipos Umbandistas Sob a regência do Mestre Guiné, as aulas abordaram a dimensão sônico-vibracional e a estrutura simbólica que rege as corporificações na Umbanda: A Rítmica dos Tambores Sagrados: O atabaque e os instrumentos de percussão não funcionam apenas como acompanhamento musical, mas como condutores energéticos e organizadores do espaço-tempo pedagógico. As variações rítmicas (como os toques Nagô, Ijexá e Congo de Ouro) possuem métricas específicas que orientam a aceleração, a pausa e a cadência dos passos dos praticantes. 
 Os Arquétipos Umbandistas: O Mestre Guiné trabalhou a relação entre a vibração dos toques e a evocação dos arquétipos das entidades. O estudo dos arquétipos permite entender essas figuras não apenas em termos religiosos, mas como matrizes de psicologia, identidade e expressão corporal (força, doçura, sabedoria, justiça). A percussão atua como o estímulo auditivo e motor que desencadeia a transformação da postura e da dinâmica do corpo no espaço. 


 4. Considerações Finais A integração dos saberes centenários do Centro Espírita Nossa Senhora das Graças, sob a condução da Mestra Mãe Regina e do Mestre Guiné no âmbito da UEMG - Unidade Ibirité, representa um marco para a construção de uma pedagogia universitária verdadeiramente plural, inclusiva e decolonial. Ao reunir a história viva de 128 anos de tradição, a riqueza gestual das danças de Pretos Velhos e Caboclos e a precisão rítmico-arquétipica dos tambores, a experiência demonstra que a ciência acadêmica se fortalece quando reconhece a legitimidade das tecnologias ancestrais de transmissão oral e corporal. Este trabalho reitera a necessidade contínua de abrir as portas do campus Ibirité para as comunidades de terreiro, garantindo a salvaguarda e a difusão do patrimônio cultural afro-brasileiro no ensino superior. 

 Referências Bibliográficas BIÃO, Armindo. Etnocenologia e a cena viva. Salvador: Editora UFBA, 2007. MIGNOLO, Walter. Histórias locais/projetos globais: colonialidade, saberes subalternos e pensamento liminar. Belo Horizonte: Editora UFMG, 2003. SIMAS, Luiz Antonio; RUFINO, Luiz. Fogo no mato: a ciência encantada das macumbas. Rio de Janeiro: Mork, 2018. WALSH, Catherine. Interculturalidad crítica y pedagogía decolonial: apuestas desde el in-surgir, re-existir y re-vivir. Quito: Universidad Andina Simón Bolívar, 2009.

sexta-feira, 10 de julho de 2026

Como a Capoeira Atua como Ferramenta de Inclusão e Cidadania para Crianças

 

Mais que uma Roda: Como a Capoeira Atua como Ferramenta de Inclusão e Cidadania para Crianças

Se você já presenciou o magnetismo de uma roda de capoeira, sabe que a energia ali é contagiante. O som do berimbau, o ritmo do palmeado e o coro que responde ao canto criam um ambiente único. Mas, para além da manifestação cultural e da atividade física, você já parou para pensar no impacto invisível — e profundo — que essa arte tem no desenvolvimento de uma criança?

Muitas vezes vista apenas como uma dança ou uma luta, a capoeira é, na verdade, um dos ecossistemas pedagógicos mais completos que existem. Quando levada para dentro de comunidades e projetos sociais, ela se transforma em uma chave poderosa para a inclusão social, a disciplina e a construção da cidadania.

Neste artigo, vamos explorar como o jogo da capoeira atua de forma prática para moldar o futuro das novas gerações.

O Berimbau como Professor: Disciplina com Afeto

Diferente de modalidades esportivas tradicionais que seguem regras rígidas e lineares, a capoeira ensina através da convivência, do axé e do respeito mútuo. Dentro de um ambiente de treino focado na educação, a criança entende desde cedo que a roda só acontece se houver colaboração. Não existe jogo de um homem só.

  • Respeito à Ancestralidade: O aluno aprende a ouvir os mais velhos, a respeitar o comando de quem está no berimbau e a entender o valor da tradição.

  • Autoestima e Pertencimento: A roda de capoeira oferece um lugar onde a criança é vista, ouvida e celebrada. Cada evolução de movimento, cada música decorada e cada batido de palma é uma vitória compartilhada que fortalece a autoconfiança de quem está começando.

[INSERIR FOTO: Uma foto bem bonita das crianças na roda ou tocando instrumentos]

Desenvolvimento Motor e Expressão Corporal na Infância

Do ponto de vista físico, a capoeira é impecável. Ela trabalha a lateralidade, a flexibilidade, o equilíbrio e a coordenação motora de forma totalmente lúdica.

Para uma criança em fase de crescimento, gingar, dar um rolê ou arriscar uma bênção não são apenas golpes de agilidade; são estímulos neurológicos e motores que refletem diretamente no seu desempenho escolar e na sua consciência corporal. A música entra como o fio condutor desse processo, desenvolvendo o ritmo, a percepção auditiva e a expressão vocal desde cedo.

Transformação Social: Da Roda para a Vida

A capoeira nasceu como um grito de liberdade e resistência, e essa essência se mantém viva até hoje. Em contextos onde faltam oportunidades de lazer, cultura e esporte, ela chega preenchendo lacunas, oferecendo uma alternativa de vida saudável, foco e horizontes ampliados para as famílias.

Projetos socioculturais que utilizam a capoeira como base não buscam formar apenas atletas ou exímios jogadores; o foco principal é formar cidadãos conscientes de seus direitos, jovens que valorizam sua cultura e que compreendem o peso real da palavra "comunidade".

[INSERIR FOTO: O grupo reunido, destacando a união e a alegria dos alunos]

Conclusão: A Importância de Apoiar a Cultura Popular

Apoiar a capoeira nas escolas, creches e núcleos comunitários é investir diretamente no futuro da nossa sociedade. É garantir que a história viva do nosso povo continue sendo contada e cantada de geração em geração, salvaguardando o nosso patrimônio imaterial.

Seja você um pai buscando uma atividade transformadora para seu filho, um educador ou um entusiasta da nossa cultura, lembre-se: a capoeira educa, inclui e liberta.

💬 Participe da nossa comunidade!

E você, já viu de perto o impacto da capoeira na vida de uma criança ou na sua própria trajetória? Deixe o seu comentário aqui embaixo compartilhando a sua história com a gente!

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quinta-feira, 2 de julho de 2026

Sete Lagoas tremeu: "Vem Jogar Mais Eu" consolida-se como o grande palco da Capoeira em Minas!

 

Sete Lagoas tremeu: "Vem Jogar Mais Eu" consolida-se como o grande palco da Capoeira em Minas!

Foto Minas Tem Capoeira


A energia da capoeira tomou conta de Sete Lagoas neste final de semana, e o resultado não poderia ter sido outro: um sucesso avassalador que já entra para a história da nossa cultura! O campeonato "Vem Jogar Mais Eu" transformou a cidade no epicentro da arte-luta, reunindo mais de 200 atletas inscritos em uma demonstração de força, técnica e tradição.

O que vimos foi simplesmente épico!

Não foi apenas um evento esportivo; foi uma celebração da identidade cultural mineira. Do primeiro berimbau afinado até o último golpe de capoeira, a arena vibrou com a entrega total de cada praticante. O público lotou as arquibancadas, criando uma atmosfera eletrizante que contagiou até os mais céticos, enquanto a crítica especializada já aponta: o nível técnico apresentado em Sete Lagoas atingiu um patamar elevadíssimo.

Por que o "Vem Jogar Mais Eu" fez história?

  • Recorde de Participação: Com mais de 200 atletas, o evento provou a força da união e o crescimento constante da capoeira em nossa região.

  • Sucesso de Público e Crítica: A organização impecável e o alto nível dos jogos conquistaram tanto os amantes da modalidade quanto os novos espectadores.

  • Vitrine Cultural: Sete Lagoas reafirmou sua posição estratégica no mapeamento cultural de Minas Gerais, servindo de palco para grandes nomes e promessas do esporte.

Para quem esteve lá, a memória do som dos atabaques e a destreza dos capoeiristas ficará marcada. Para quem não pôde comparecer, fica a certeza: o "Vem Jogar Mais Eu" não é apenas um campeonato, é o movimento que a nossa capoeira precisava para ganhar ainda mais fôlego.

A pergunta que fica é: se o nível de hoje já foi impressionante, o que podemos esperar da próxima edição? Sete Lagoas agradece por essa aula de resistência, arte e superação!

E você, o que achou dos melhores momentos desse encontro? Comente aqui no blog!

quinta-feira, 25 de junho de 2026

Nasce a Rede Nacional Capoeira e Cultura Viva: Articulação, Política e Fortalecimento

 

Nasce a Rede Nacional Capoeira e Cultura Viva: Articulação, Política e Fortalecimento

É com grande entusiasmo que anunciamos a consolidação da Rede Nacional Capoeira e Cultura Viva.

Esta rede não é uma escola, não é um grupo de capoeira específico e não funciona como uma associação tradicional. Somos uma estrutura de articulação política e mobilização, dedicada exclusivamente a debater, propor e fortalecer as políticas públicas voltadas para a Capoeira sob a égide da Política Nacional de Cultura Viva.

Nossa Força no Ambiente Digital

A capoeira é feita de corpo e movimento, mas hoje também se constrói através da incidência estratégica no ambiente digital. A Rede Nacional Capoeira e Cultura Viva já nasce com uma presença sólida e representativa:

  • Alcance Digital: Nossa página no Instagram já conecta e dialoga com mais de 7.500 pessoas, formando uma audiência engajada que valoriza o debate qualificado sobre a nossa cultura.

  • Articulação Direta: Contamos com grupos de WhatsApp que reúnem mais de 300 lideranças de todo o país. Este é o nosso "círculo de mestres e gestores", onde o diálogo é constante, a troca é horizontal e o compromisso com a causa é coletivo.

Qual é o nosso propósito?

A Capoeira precisa ser tratada como o patrimônio cultural que ela é. O objetivo da nossa rede é atuar nos espaços de tomada de decisão, garantindo que os fazedores de capoeira tenham voz ativa na construção das leis, editais e mecanismos que financiam e protegem as culturas de matriz popular.

Ao nos organizarmos através do viés da Cultura Viva, buscamos o reconhecimento dos nossos terreiros, academias e rodas como Pontos de Cultura, assegurando que o investimento público chegue a quem mantém a nossa tradição viva diariamente.

Somos uma rede de diálogo, planejamento e incidência política.

Convidamos todas as lideranças e praticantes que compartilham deste compromisso a caminharem conosco. A capoeira não pode ficar à margem das políticas culturais; ela precisa ser protagonista.

Rede Nacional Capoeira e Cultura Viva Articular para transformar. Fortalecer para perpetuar.

domingo, 19 de abril de 2026

A Raiz Ancestral: O que o Dia dos Povos Indígenas tem a ver com a nossa Capoeira?

 

Título: A Raiz Ancestral: O que o Dia dos Povos Indígenas tem a ver com a nossa Capoeira?

Por: Mestre Guiné | WebTV Capoeira Videos


Muitas vezes, ao falarmos de Capoeira, nosso pensamento voa imediatamente para a África. E com razão! Mas hoje, 19 de abril, convidamos você a olhar para o chão que pisamos. No Dia dos Povos Indígenas, é fundamental reconhecer que a Capoeira, como
manifestação genuinamente brasileira, bebeu também da fonte dos povos originários.

O Encontro de Culturas na Mata

A Capoeira que praticamos hoje é fruto de um caldeirão cultural. Historicamente, os quilombos não eram formados apenas por africanos escravizados, mas também por indígenas que resistiam à colonização. Nesse encontro de resistências, houve troca de saberes:

  • A caça e a sobrevivência: Táticas de emboscada e movimentação baixa.

  • A medicina natural: O uso de ervas que muitos mestres antigos dominavam.

  • O Berimbau: Embora sua origem seja africana, o arco musical encontrou no Brasil madeiras e cabaças que deram a sonoridade que conhecemos hoje.

O "Caboclo" na Roda

Quem nunca cantou um ponto ou uma louvação mencionando o "Caboclo"? Na cosmologia da Capoeira e de diversas religiões de matriz africana que caminham juntas, o Caboclo representa a força da terra, o dono da mata, o espírito guerreiro que não se curva. Respeitar o dia de hoje é honrar essa entidade que vive na nossa musicalidade e no nosso axé.

Preservação e Futuro

Assim como lutamos para que a Capoeira seja reconhecida e respeitada nas escolas e políticas públicas, os povos indígenas lutam pela demarcação de suas terras e pela manutenção de suas línguas e costumes.

A resistência de um é a resistência de todos.

domingo, 5 de abril de 2026

Oficio do Mestre na Comissao de Cultura da ALMG- Fala do Mestre Guine


 

Oficio do Mestre - Rodas na Abertura da Mostra Contagem


 

Oficio do Mestre - Roda na Feira Preta


 

Oficio do Mestre Contagem - Roda do Bairro Industrial


 

Oficio do Mestre Contagem . Roda do Bairro Nacional


 

Movimento ancestral - Oficio do Mestre Roda no Eldorado


 

Mestre Guine e Deputada Andreia de Jesus no CRJ falando sobre o Afromineridade Capoeira


 

Movimento Ancestral / Oficio do Mestre !! Capoeira em Contagem .