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domingo, 23 de agosto de 2026

 A Capoeira como Agente Político e a Construção de Direitos na AlMG 

Por Mestre Guiné 

Deputado Luizinho e Mestre Guiné 

A capoeira nunca foi apenas movimento corporal ou passatempo. Nascida nos quilombos, nas senzalas e nas ruas como estratégia de sobrevivência e liberdade, ela carrega em sua essência a dimensão política da resistência. Hoje, essa mesma força ancestral dá um passo decisivo: ocupa as tribunas dos parlamentos, disputa orçamentos públicos e formula marcos legais para transformar a realidade das nossas comunidades.

A Ocupação dos Espaços Institucionais

A atuação da capoeiragem na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) e em câmaras municipais simboliza uma virada de chave histórica. A presença de mestres e mestras nesses espaços não se dá para apresentações folclóricas, mas para exercer cidadania e controle social:

  • Audiências Públicas de Fomento: Exigência de que editais de cultura (como PNAB, Lei Paulo Gustavo e leis de incentivo) cheguem de verdade aos barracões, vilas e periferias, rompendo a burocracia que historicamente exclui a cultura popular.

  • Frente Parlamentar em Defesa da Capoeira: Articulação de canais diretos para viabilizar emendas orçamentárias impositivas e blindar os direitos da comunidade capoeirística contra retrocessos.

  • Estatuto da Igualdade Racial: Inclusão de diretrizes claras para a proteção dos terreiros, pontos de capoeira e garantia de uso do espaço público para rodas e celebrações sem criminalização.

Capoeira na Escola: Notório Saber e Educação Antirracista

Um dos pilares mais urgentes debatidos no legislativo é a implementação real da Lei Capoeira na Escola, conectada às Leis Federais 10.639/03 e 11.645/08.

A proposta vai muito além de aulas de educação física: trata-se de inserir a oralidade, a musicalidade, a ancestralidade e a filosofia da capoeira no projeto pedagógico das escolas públicas. O ponto central dessa luta é a garantia do notório saber — assegurando que mestres, mestras, contramestres e instrutores tradicionais sejam contratados e remunerados dignamente pelo Estado, reconhecendo que a universidade da capoeira reside na sabedoria dos seus detentores.

A Força da Rede Nacional Capoeira e Cultura Viva

No plano nacional, a criação da Rede Nacional Capoeira e Cultura Viva, articulada sob a coordenação de Mestre Guiné, consolida a ponte entre as academias de base e o Poder Público .

Ao integrar os núcleos de capoeira à Política Nacional de Cultura Viva (Lei 13.018/2014), a rede promove:

Eixo de AçãoImpacto Comunitário
Certificação como Ponto de CulturaReconhecimento institucional e jurídico formal de sedes e grupos comunitários.
Acesso a Recursos de CusteioFinanciamento direto para manutenção de barracões, instrumentos e uniformes.
Participação e Controle SocialPresença ativa de capoeiristas nos Conselhos de Políticas Culturais e nas Teias Nacionais.

O Ofício do Mestre como Liderança Social

A trajetória de articulação de Mestre Guiné e de tantas outras lideranças pelo Brasil reafirma que a salvaguarda da capoeira se faz no dia a dia da comunidade e na firmeza do diálogo com o poder público.

Educar pela capoeira é formar cidadãos conscientes de sua história e de seus direitos. Quando o berimbau ecoa dentro do parlamento, ele não apenas canta a memória de nossos ancestrais: ele abre caminhos para um futuro de dignidade, valorização e justiça social para toda a capoeiragem brasileira.

segunda-feira, 17 de agosto de 2026

# Professor Perguntinha é Campeão Brasileiro da Abadá-Capoeira na Bahia

 

# Professor Perguntinha é Campeão Brasileiro da Abadá-Capoeira na Bahia

Por : Mestre Guiné 

Professor Perguntinha 

Uma conquista histórica para a capoeira de Minas Gerais e para a família Abadá Capoeira MG : o **Professor Perguntinha**, integrante e educador do **Programa Ofício do Mestre**, sagrou-se **Campeão Brasileiro** no Campeonato da Abadá-Capoeira, realizado em solo baiaano .

A força da linhagem e o domínio dos fundamento.

Aluno direto do renomado **Mestre Camisa** (fundador e presidente da Abadá-Capoeira), o Professor Perguntinha reside e atua em Minas Gerais, desenvolvendo um trabalho contínuo de arte-educação e treinamento de alto rendimento.

Vencer o campeonato nacional no berço da capoeira, competindo contra os melhores atletas do país, é a prova da precisão técnica, disciplina tática e respeito à tradição que ele aplica em suas rodas diárias.

O impacto do Programa Ofício do Mestre

O resultado vai além do pódio individual:

* **Ensino pelo exemplo:** Os jovens atendidos pelos projetos sociais veem seu educador atingir o nível mais alto do esporte nacional.

* **Visibilidade para Minas Gerais:** Consolida o estado como um dos grandes polos técnicos da Abadá-Capoeira no Brasil .

De volta a Minas Gerais com o troféu em mãos, a missão agora é multiplicar esse aprendizado nas comunidades, fortalecendo as rodas periféricas e preparando a nova geração de atletas e cidadãos conscientes.

*Parabéns ao Professor Perguntinha por elevar o nome do Educando Capoeira e da capoeira mineira ao topo do Brasil!* 🥋🇧🇷

terça-feira, 11 de agosto de 2026

Instrutora Pocahontas e Deputada Andreia de Jesus em diálogo na ALMG . Capoeirista de Belo Horizonte vai a Bahia defender o Título Brasileiro !



Arte, Educação e Comunidade: O Festival de Projetos da Abadá-Capoeira Movimentou Cambuquira

No último sábado, **8 de agosto**, a cidade de Cambuquira foi palco de um grande momento de cultura, movimento e cidadania. Sob a organização do **Instrutor Meia Noite Mineiro** e a supervisão do **Mestre Cobra**, o *Festival de Projetos da Abadá-Capoeira* reuniu alunos, educadores e a comunidade local para celebrar o impacto transformador da nossa arte.

Mais do que um encontro esportivo, o festival foi uma verdadeira vitrine do trabalho social e pedagógico desenvolvido no dia a dia. Por meio do som do berimbau, do canto e do jogo na roda, o evento destacou como a Abadá-Capoeira utiliza a tradição e o axé para fortalecer valores essenciais, como respeito, disciplina, trabalho em equipe e o orgulho das nossas raízes culturais.

A realização do evento reforça a missão do **Educando Capoeira**: valorizar iniciativas que usam a capoeira como ferramenta de inclusão e formação cidadã para crianças e jovens.

Parabéns ao Instrutor Meia Noite Mineiro pela organização impecável, ao Mestre Cobra pela supervisão , e a todos os participantes que fizeram dessa data um marco de celebração e aprendizado!

*O que você achou do evento? Deixe seu comentário abaixo e compartilhe este artigo para apoiar e fortalecer a capoeira em nossa região!*

domingo, 9 de agosto de 2026

 # 128 Anos de Ancestralidade e Resistência: O Legado da Casa do Pai Mateus e a Força do Bairro Santo André


**Por:** Mestre Guiné


**Categoria:** Memória, Patrimônio e Ancestralidade


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Preservar uma memória viva por mais de um século é, antes de tudo, um ato de coragem e amor às nossas raízes. Ao celebrar **128 anos de história e resistência**, o **Ponto de Memória e Cultura Centro Espírita Nossa Senhora das Graças** se consolida como um dos territórios mais importantes de salvaguarda da cultura afromineira, da cura tradicional e do saber popular em Belo Horizonte.


Esse legado secular continua pulsando forte no nosso dia a dia, unindo a sabedoria dos mais velhos à formação cultural das novas gerações.


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### Uma Trajetória Marcada pela Resistência Operária e Religiosa


A história da Casa do Pai Mateus se confunde com a própria fundação de Belo Horizonte. O fundador da Casa, pedreiro de profissão, viveu inicialmente com sua família na antiga **Vila Barroquinha**, espaço que ficava dentro do perímetro da Avenida do Contorno no plano original da capital.


Diante do processo de urbanização e remoção do final do século XIX, a família e a comunidade religiosa foram empurradas para além das fronteiras planejadas da cidade:


* **Da Vila Barroquinha para a Lagoinha:** Um primeiro movimento de territorialização e afirmação negra na cidade.

* **Da Lagoinha para o Bairro Santo André:** Onde o terreiro fincou raízes definitivas, tornando-se um refúgio histórico de fé, caridade e acolhimento.


Esse caminho de deslocamento não enfraqueceu a força da Casa; pelo contrário, transformou o bairro Santo André em um verdadeiro bastião da memória afrorreligiosa e operária da nossa capital.


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### Pai Mateus e a Força da Cura Tradicional


Inspirada na vida e no conhecimento do eremita e curandeiro que viveu nos lajedos do Cariri paraibano, a Casa do Pai Mateus manteve viva, ao longo de mais de um século, a tradição dos remédios pelas ervas, o alívio espiritual e a caridade sem cobrança — princípios que regem a linha dos Pretos Velhos e dos Mestres na Umbanda.


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### A Salvaguarda e o Futuro do Nosso Ponto de Memória


Hoje, a salvaguarda dessa história ganha novos horizontes. Como Ponto de Memória e Cultura, o Centro Espírita Nossa Senhora das Graças articula patrimônio, religiosidade e educação, desenvolvendo ações fundamentais para toda a comunidade:


* **Preservação do Acervo:** Registro das histórias orais, das benzedeiras, parteiras e trabalhadores que ergueram e sustentaram este espaço.

* **Integração com a Capoeira e a Formação:** Conexão direta com iniciativas como o *Educando Capoeira* e o *Movimento Ancestral*, fortalecendo a identidade e o sentimento de pertencimento dos nossos jovens e mestres.

* **Honra à Matriarcagem:** Valorização contínua da trajetória de lideranças femininas cruciais para a manutenção do terreiro, como a nossa Mestra Mãe Ieda.


Celebrar 128 anos é reafirmar que o saber tradicional é farol para o presente. Entre o som do berimbau, o cheiro das folhas sagradas e a firmeza da fé, a Casa do Pai Mateus segue de portas abertas, ensinando que não há futuro sem respeito e reverência à nossa ancestralidade.


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> **Gostou da leitura?** Deixe seu comentário abaixo, compartilhe nas suas redes e venha fortalecer a salvaguarda da memória e da cultura viva do nosso território!

sábado, 8 de agosto de 2026

Do Barro ao Axé: A História Desconhecida da Fundação de BH nas Raízes do Ponto de Memória CENSG

Por Mestre Guiné 


Quando se fala dos 128 anos de Belo Horizonte, a história oficial gosta de lembrar dos mapas de Aarão Reis, dos edifícios imponentes da Praça da Liberdade e do sonho republicano de uma capital planejada para a modernidade. Mas existe uma outra história — viva, pulsar, fincada no chão batido — que a memória oficial tentou apagar: a história de quem pegou na enxada, na colher de pedreiro e ergueu essa cidade com o próprio suor.


É nessa travessia de lutas e de fé que se entrelaça a trajetória do **Ponto de Memória CENSG (Centro E. Nossa Senhora das Graças)** e a fundação do **Bairro Santo André**.


A Picareta que Ergueu a Capital e a Mão que Foi Expulsa


Poucos registros escolares contam que, antes de ser o centro da capital, o território do perímetro urbano abrigava comunidades e moradias populares. Uma delas era a **Vila Barroquinha**, cravada dentro dos limites do que viria a ser a Avenida do Contorno.


Nela vivia o **Fundador da Casa do Pai Mateus**. Pedreiro de profissão, ele foi um dos milhares de trabalhadores negros e operários que ajudaram a assentar os tijolos, erguer as estruturas e abrir as avenidas da "Cidade de Minas".


Porém, o projeto de modernidade da elite da época não previa espaço para os próprios construtores da cidade dentro da linha da Contorno. Assim que as obras avançaram, veio o golpe da desapropriação e do higienismo urbanístico: a família do fundador foi sumariamente retirada de sua casa na Barroquinha e empurrada para fora dos limites "planejados".


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O Caminho da Resistência: Da Lagoinha ao Santo André


A primeira parada dessa travessia foi a **Lagoinha**, a porta de entrada da periferia nascente de Belo Horizonte. Ali, entre a poeira das margens da cidade, as famílias expulsas encontraram o primeiro abrigo e começaram a reorganizar suas redes de solidariedade.


Mas a pressão da expansão urbana continuava. A busca por um chão seguro fez com que, na década de 1920, o caminho se estendesse um pouco mais acima, alcançando a geografia dos morros vizinhos. Foi ali que a família se fixou e fincou estacas definitivas no **Bairro Santo André**.


Não se tratava apenas de erguer quatro paredes para morar. Naquele chão do Santo André, ergueu-se a **Casa do Pai Mateus** — transformando o território em um espaço sagrado de cura, acolhimento, preservação das tradições de matriz africana e resistência comunitária. O pedreiro que ajudou a construir a cidade física tornava-se, ali, o arquiteto e fundador de um território de fé e ancestralidade.


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O Terreiro como Guardião da Memória de Belo Horizonte


Hoje, no endereço da Rua Amarílis, o **Ponto de Memória CENSG** guarda essa rota de resistência. Se os arquivos do Estado guardam as plantas e os decretos da nova capital, é no terreiro e na comunidade do Santo André que está guardada a memória viva do povo.


Relembrar essa trajetória de **Vila Barroquinha $\rightarrow$ Lagoinha $\rightarrow$ Santo André** nos faz refletir sobre o verdadeiro sentido de patrimônio. A história de BH não é feita apenas de concreto e monumentos; ela é feita da força das famílias que, mesmo diante do apagamento e do deslocamento forçado, reinventaram a vida, preservaram seus saberes imateriais e mantiveram o axé aceso no coração da cidade.


Preservar o Ponto de Memória CENSG é garantir que a história dos 128 anos de Belo Horizonte seja contada por inteiro — com a voz, a memória e o protagonismo de quem realmente a construiu.


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*Gostou de conhecer essa história? Compartilhe este texto, visite o Ponto de Memória CENSG no bairro Santo André e ajude a fortalecer a salvaguarda da nossa memória comunitária e afromineira!*