Quando o Terreiro e a Capoeira Ocupam o Poder: A Entrevista do Mestre Guiné na ALMG
Há falas que nascem para marcar época. Na entrevista concedida nos corredores da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), o Mestre Guiné — liderança do Blog Educando Capoeira e do centenário Centro Espírita Nossa Senhora das Graças (Casa do Pai Mateus) — deu voz ao sentimento de milhões de praticantes e guardiões da cultura popular no Brasil e no mundo.
Descrevendo a dimensão geopolítica, educacional e espiritual da nossa arte, a entrevista ecoou como um manifesto em defesa do patrimônio afromineiro e da salvaguarda das nossas tradições.
1. "A Capoeira é o Braço Armado e a Defesa da Matriz Africana no Mundo"
A declaração central da entrevista na ALMG sintetiza o papel estratégico que a Capoeira desempenha na geopolítica cultural global. Como destacou o Mestre Guiné, a Capoeira não é uma luta de agressão, mas um escudo de proteção ancestral.
Ao longo do século XX e XXI, enquanto diversas tradições de terreiro sofriam perseguição, apagamento e intolerância, a Capoeira se expandiu para mais de 170 países. Por onde ela passou, não viajou sozinha: levou no seu bojo e salvaguardou manifestações fundamentais como:
O Maculelê: A preservação do ritmo, do bastão e da memória dos guerreiros.
A Puxada de Rede: O respeito aos ciclos da natureza e o trabalho comunitário.
O Samba de Roda: A ancestralidade baiana, a cantiga e a alegria como resistência.
Onde há uma roda de Capoeira no mundo — seja em Tóquio, Paris ou Nova York —, a matriz africana está viva, protegida e se defendendo com altivez.
2. A Força Pedagógica e o Combate ao Racismo na Educação Infantil
Outro ponto de forte impacto na fala do Mestre Guiné na Assembleia Legislativa foi o combate prático ao racismo estrutural. A Capoeira é, hoje, a maior ferramenta de letramento racial na Educação Infantil.
Ao introduzir milhões de crianças brasileiras e estrangeiras à prática da Capoeira nas escolas, o preconceito é desconstruído na raiz:
Inversão de Narrativas: Zumbi dos Palmares, Dandara, Mestre Bimba e Mestre Pastinha passam a ser reconhecidos como heróis da história.
Vivência Afetiva: A criança aprende a amar o som do berimbau, o toque do atabaque e o ritmo do pandeiro, naturalizando a beleza da cultura negra desde os primeiros anos de vida.
3. Do Terreiro à Igreja Pentecostal: A Maior Manifestação Popular do Brasil
Diante dos parlamentares e da imprensa, o Mestre Guiné reforçou a incrível capacidade democrática e agregadora da nossa arte. A Capoeira é a maior manifestação da cultura popular brasileira no planeta porque não impõe filtros: ela acolhe todos os gêneros, idades, visões políticas e crenças religiosas.
A entrevista destacou a beleza desse fenômeno: a Capoeira consegue ser praticada e ter suas rodas formadas tanto no chão sagrado dos terreiros de Candomblé e Umbanda quanto no espaço de igrejas pentecostais, associações de bairro e universidades.
Na roda, o berimbau nivelar a todos. O jogo ensina que a ancestralidade africana é um patrimônio de toda a humanidade.
O Recado da ALMG: Políticas Públicas para o Ponto de Cultura
Ao levar essa mensagem para a Assembleia Legislativa de Minas Gerais, o Mestre Guiné não fez apenas uma aula de história — fez uma cobrança política direta.
Espaços como o Ponto de Cultura Educando Capoeira e o Centro Espírita Nossa Senhora das Graças, no Bairro Santo André em Belo Horizonte, realizam diariamente um trabalho de transformação social, letramento e acolhimento que o Estado muitas vezes não alcança.
Reconhecer a Capoeira como o braço armado e a defesa da matriz africana é garantir que os mestres, as mestras e os terreiros tenham orçamento, espaço e respeito institucional para continuar mantendo essa chama acesa.
Assista, comente e compartilhe!
Acompanhe o vídeo completo da entrevista do Mestre Guiné na ALMG em nossas redes sociais e deixe sua opinião: Como a Capoeira transformou a sua visão sobre a cultura afro-brasileira?
Nenhum comentário:
Postar um comentário