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terça-feira, 21 de julho de 2026

Capoeira e Jogos Africanos na Formação e na Escola: A Pedagogia Decolonial do Projeto "Educando Capoeira" no Programa Egbara Wa (UEMG)

 

Capoeira e Jogos Africanos na Formação e na Escola: A Pedagogia Decolonial do Projeto "Educando Capoeira" no Programa Egbara Wa (UEMG)

Resumo: Este artigo analisa a experiência pedagógica e extensionista do projeto Educando Capoeira, conduzido pelo Mestre Guiné no âmbito do Programa Saberes Tradicionais — Egbara Wa, da Universidade do Estado de Minas Gerais (UEMG), sob a coordenação da Professora Dra. Vitória Régia. O estudo investiga a metodologia do projeto, estruturada de forma integrada entre a formação acadêmica — por meio de palestras na Faculdade de Educação (FaE/UEMG - Unidades Ibirité e Cidade Jardim) — e a aplicação prática através de oficinas de Capoeira e Jogos Africanos para estudantes do Ensino Médio em escolas públicas. Destaca-se a trajetória de mais de dois decênios do Mestre Guiné na Educação Infantil e Básica como Mestre dos Saberes Tradicionais. Conclui-se que o projeto consolida uma práxis decolonial eficaz no combate ao racismo estrutural e na aproximação entre universidade, escola e saberes populares.

Palavras-chave: Educando Capoeira. Mestre Guiné. Saberes Tradicionais. FaE-UEMG. Jogos Africanos. Ensino Médio. Decolonialidade.

1. Introdução

A inclusão dos saberes e práticas corporais de matriz africana no espaço universitário e na educação básica consolida-se como um movimento urgente de decolonização do conhecimento e enfrentamento ao racismo estrutural. Historicamente, o sistema educacional ocidentalizado privilegiou a escrita e a racionalidade cartesiana, relegando a oralidade, o jogo ancestral, a corporalidade e as tecnologias populares a um lugar secundário na produção científica e pedagógica formal.

No âmbito da Universidade do Estado de Minas Gerais (UEMG) — articulando a Faculdade de Educação (FaE/Ibirité) e a Unidade Cidade Jardim (BH) —, essa transformação epistemológica ganhou materialidade através do Programa Saberes Tradicionais — Egbara Wa, sob a coordenação da Professora Dra. Vitória Régia. O programa foi concebido para aproximar a formação acadêmica do conhecimento vivo dos mestres da cultura popular, em pleno alinhamento às Leis Federais 10.639/03 e 11.645/08.

Foi no contexto do Egbara Wa que o Mestre Guiné — reconhecido Mestre dos Saberes Tradicionais com uma trajetória de mais de 20 anos de atuação dedicada à Educação Infantil e Ensino Básico — implementou as ações do seu projeto Educando Capoeira. A proposta metodológica desdobrou-se em dois ambientes complementares de atuação:

  • Palestras Acadêmicas na Universidade (FaE-UEMG): Espaço de reflexão teórica, debate e transmissão oral direcionado a licenciandos, docentes e pesquisadores sobre a decolonialidade, a ludicidade afro-diaspórica e a importância dos mestres tradicionais na educação.

  • Oficinas Práticas nas Escolas (Ensino Médio): Aplicação direta dos Jogos Africanos e da Capoeira junto a estudantes do Ensino Médio da rede pública, promovendo o pertencimento étnico-racial, a conscientização histórica e o desenvolvimento socioemocional.

Este artigo analisa essa articulação entre universidade, escola pública e saber tradicional, demonstrando o impacto do projeto Educando Capoeira na formação de novos educadores e na juventude periférica.

2. Fundamentação Teórica: Trajetória, Saberes Tradicionais e Decolonialidade

A fundamentação do projeto Educando Capoeira assenta-se na bagagem acumulada do Mestre Guiné ao longo de mais de duas décadas de experiência com a infância e a juventude. A validação do Mestre de Saberes Tradicionais no ambiente universitário rompe com a hierarquia eurocêntrica que reconhece apenas o título acadêmico formal como fonte legítima de saber (MIGNOLO, 2003; WALSH, 2009).

"A capoeira e os jogos tradicionais africanos na escola e na universidade não são meras atividades recreativas; constituem tecnologias ancestrais de transmissão de filosofia, ética, estratégia corporal, musicalidade e preservação da memória histórica da diáspora."

— (Reflexão inspirada em SIMAS & RUFINO, 2018)

A experiência acumulada pelo Mestre Guiné na Educação Infantil traz uma sensibilidade pedagógica única para o trabalho com estudantes do Ensino Médio e para as palestras na FaE-UEMG. O jogo e a roda funcionam como linguagens de acolhimento, permitindo desconstruir o racismo estrutural e reconstruir a autoimagem de jovens negros e não negros no ambiente escolar.

3. Desenvolvimento e Metodologia do Projeto no Egbara Wa

A estrutura do projeto Educando Capoeira no Programa Egbara Wa desenhou um fluxo contínuo entre a teoria acadêmica e a práxis escolar:

                  ┌──────────────────────────────────────────────────┐
                  │             MESTRE GUINÉ (20+ ANOS)              │
                  │         Mestre dos Saberes Tradicionais          │
                  └────────────────────────┬─────────────────────────┘
                                           │
                                           ▼
                       PROGRAMA SABERES TRADICIONAIS — EGBARA WA
                  (UEMG Cidade Jardim / FaE Ibirité | Coord. Prof.ª Vitória)
                                           │
                           ┌───────────────┴───────────────┐
                           ▼                               ▼
                 PALESTRAS NA UNIVERSIDADE        OFICINAS NAS ESCOLAS
                    (FaE/UEMG - Acadêmicos)        (Estudantes do Ensino Médio)
                           │                               │
                ┌──────────┴──────────┐          ┌─────────┴──────────┐
                ▼                     ▼          ▼                    ▼
           Teoria da             Valorização    Jogos Africanos      Capoeira e
         Decolonialidade          dos Saberes    Tradicionais        Roda Ancestral

3.1. As Palestras na Faculdade de Educação (FaE/UEMG)

Nas palestras ministradas para a comunidade universitária, o Mestre Guiné abordou a urgência de integrar os Saberes Tradicionais nos currículos de formação de professores. Apresentou o projeto Educando Capoeira como um estudo de caso bem-sucedido, demonstrando como as metodologias construídas na Educação Infantil ao longo de 20 anos podem fundamentar práticas pedagógicas antirracistas e inclusivas no ensino superior.

3.2. As Oficinas Práticas nas Escolas Públicas (Ensino Médio)

Nas escolas parceiras, as oficinas com os estudantes do Ensino Médio focaram em dois eixos lúdico-corporais:

  • Jogos Africanos Tradicionais: Vivência de jogos e brincadeiras de diversas regiões do continente africano, desenvolvendo raciocínio tático, cooperação, foco, agilidade e valorização da cultura ancestral.

  • Capoeira Ancestral e Pedagógica: A prática da roda, do canto, da musicalidade (berimbau, atabaque, pandeiro) e da movimentação, oferecendo aos jovens do Ensino Médio uma ferramenta potente de expressão, disciplina consciente e orgulho de suas raízes.

4. Considerações Finais

A realização do projeto Educando Capoeira no âmbito do Programa Saberes Tradicionais — Egbara Wa, sob a coordenação da Professora Dra. Vitória Régia na UEMG (FaE/Ibirité e Cidade Jardim), representa um modelo exemplar de integração entre a universidade pública, a escola de Educação Básica e a comunidade.

A trajetória de mais de 20 anos do Mestre Guiné na Educação Infantil e sua atuação como Mestre dos Saberes Tradicionais demonstraram que a ponte entre palestras acadêmicas e oficinas com jovens do Ensino Médio é o caminho para uma transformação educacional verdadeira. O projeto reafirma que combater o racismo estrutural exige reconhecer e vivenciar as tecnologias ancestrais dos jogos africanos e da capoeira como saberes fundamentais para a formação humana e cidadã.

Referências Bibliográficas

  • BIÃO, Armindo. Etnocenologia e a cena viva. Salvador: Editora UFBA, 2007.

  • MIGNOLO, Walter. Histórias locais/projetos globais: colonialidade, saberes subalternos e pensamento liminar. Belo Horizonte: Editora UFMG, 2003.

  • SIMAS, Luiz Antonio; RUFINO, Luiz. Fogo no mato: a ciência encantada das macumbas. Rio de Janeiro: Mork, 2018.

  • WALSH, Catherine. Interculturalidad crítica y pedagogía decolonial: apuestas desde el in-surgir, re-existir y re-vivir. Quito: Universidad Andina Simón Bolívar, 2009.

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