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sábado, 25 de julho de 2026


Do Terreiro para a Universidade: Quando a Dança da Umbanda Ocupa a UEMG

Por Mestre Guiné


Quando a nossa tradição pisa no chão da academia, quem ganha não é apenas a universidade — é a memória viva do nosso povo e toda a ancestralidade que caminhou até aqui para que hoje pudéssemos ter voz.

Recentemente, tive a honra de estar na Faculdade de Dança da Universidade do Estado de Minas Gerais (UEMG), ao lado de Mãe Regina, para ministrar uma aula especial de Dança da Umbanda Tradicional. Falando em nome do nosso Ponto de Cultura Centro Espírita Nossa Senhora das Graças, levamos para os alunos universitários muito mais do que passos ou contagens de ritmo: levamos o fundamento, o axé e a história viva dos nossos territórios da Pedreira Prado Lopes e do bairro Santo André.

O Corpo que Reza, Gingando e Dançando

Na Umbanda Tradicional, assim como na Capoeira, o corpo não se movimenta por acaso. Cada pisar no chão, cada giro, cada curvatura de tronco e cada gesto dos braços conversa diretamente com as forças da natureza, com os orixás e com os nossos guias.

Nessa vivência na UEMG, meu papel e o de Mãe Regina foi convidar os estudantes de dança a desacelerarem a mente e sentirem o movimento a partir do coração e do atabaque. Mostramos que o ritmo orienta o passo, mas é a intenção sagrada e o respeito à ancestralidade que guiam a dança.

Foi emocionante ver a sala cheia de jovens se conectando com uma linguagem corporal que é pura resistência do nosso povo preto e periférico.

Descolonizar o Conhecimento: O Lugar do Mestre de Saberes

Por muitos anos, a universidade estudou a nossa cultura, a nossa fé e a nossa dança como objetos distantes, trancados em livros ou observados de fora. Estar ali, como Mestre e ao lado de Mãe Regina, ocupa um lugar de reparação e de descolonização real do conhecimento.

Lugar de Mestre e Mestra dos Saberes é também na docência universitária. Durante a aula, buscamos transmitir três pilares que regem a minha caminhada e a formação no projeto Educando Capoeira:

  1. A dança de terreiro é ciência corporal: Existe um domínio de ritmo, equilíbrio, consciência espacial e presença física absurdamente complexo na nossa tradição.

  2. O gesto carrega memória: Cada movimento que ensinamos preserva a história das nossas avós, dos nossos mais velhos e das comunidades que mantiveram essas chaves acesas contra todo o preconceito.

  3. Fundamento e Respeito: Não se dança a Umbanda ou se joga Capoeira de qualquer jeito. É preciso saudar quem veio antes e respeitar o chão onde se pisa.

Da Raiz para o Mundo

A Capoeira e a Umbanda bebem da mesma fonte de axé, comunidade e resistência. Ver a Dança Tradicional ser vivenciada e respeitada por futuros profissionais da dança dentro da UEMG me dá a certeza de que as sementes plantadas pelas nossas matriarcas — como as minhas avós, Vó Alzira e Vó Dona Alice — continuam gerando frutos fortes.

Agradeço a cada aluno e professora da UEMG pela escuta atenta e pelo respeito ao nosso Ponto de Cultura. Seguiremos levando a nossa sabedoria do quintal para a roda, do terreiro para os palcos, e da comunidade para a universidade.

Salve a Umbanda Tradicional! Salve a Dança! Salve a nossa ancestralidade!

O que você achou dessa vivência entre o nosso Ponto de Cultura e a UEMG? Deixe seu comentário aqui no blog e compartilhe para que a nossa voz chegue ainda mais longe!


 

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