Raízes de Axé e Cuidado: O Dia da Mulher Negra e Caribenha e o Legado Ancestral no Educando Capoeira
No dia 25 de julho, celebramos o Dia Internacional da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha (e o Dia Nacional de Tereza de Benguela). Na Capoeira e na cultura popular brasileira, aprender sobre o passado é o primeiro passo para gingar com sabedoria no presente. Essa data não é apenas um marco no calendário de lutas; é um lembrete vivo de que a força da mulher negra é o alicerce que sustentou e continua a sustentar as nossas comunidades.
Falar desta data é honrar as que vieram antes de nós, garantindo a preservação dos saberes tradicionais, da fé e da cura. E na história do projeto Educando Capoeira, essa potência tem nome, sobrenome e laço de sangue: Vó Alzira Maria de Oliveira e Vó Dona Alice, avós do Mestre Guiné, que constituem a verdadeira base dos ensinamentos, da ética e da formação humana que orientam o nosso trabalho até hoje.
Vó Alzira: Setenta Anos Iluminando o Caiçara a Partir do Seu Quintal
Quem conhece a história do bairro Caiçara sabe que ali existiu um verdadeiro farol de fé e cura. Durante 70 anos, Dona Alzira Maria de Oliveira — a amada Vó Alzira — fez do seu quintal um ponto de encontro entre o sagrado e a comunidade.
Benzedeira de mão cheia, Vó Alzira não benzia apenas com ervas, rezas e ramos; benzia com o olhar, com a escuta atenta e com a sabedoria ancestral das parteiras e curandeiras negras. No seu quintal, a dor do vizinho virava alívio, a incerteza virava esperança e o acolhimento era a regra principal. Por sete décadas, ela iluminou o Caiçara, ensinando ao seu neto, Mestre Guiné, que o conhecimento tradicional e o cuidado com o próximo são ferramentas poderosas de transformação.
Vó Dona Alice: Liderança, Fé e Resistência na Pedreira e no Santo André
Outro pilar fundamental na construção desta memória de afeto e liderança foi Vó Dona Alice. À frente do Centro Espírita Nossa Senhora das Graças, a sua atuação ultrapassou as paredes do templo e entranhou-se na vida das comunidades da Pedreira Prado Lopes e do bairro Santo André.
Liderança comunitária nata, Vó Dona Alice entendia a espiritualidade aliada à ação social e ao amparo material dos seus. Em territórios marcados por desafios diários, a sua presença era sinónimo de firmeza, caridade e organização. Ela transmitiu valores essenciais de liderança e serviço comunitário que hoje formam a espinha dorsal da pedagogia do Mestre Guiné na Capoeira.
O Axé e a Base da Nossa Formação
Na Capoeira, cantamos constantemente sobre os mestres do passado, mas precisamos de olhar com o mesmo respeito e reverência para as mães, avós, benzedeiras e lideranças que moldaram a nossa conduta.
A trajetória do Mestre Guiné e os valores transmitidos no projeto Educando Capoeira não nasceram por acaso: foram forjados no exemplo diário destas duas matriarcas. A reza no quintal do Caiçara e a liderança comunitária na Pedreira e no Santo André são as raízes que sustentam a árvore da nossa capoeira.
Neste Dia da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha, celebramos a memória de Vó Alzira e Vó Dona Alice. Que a sua sabedoria continue a guiar os nossos passos, dentro e fora da roda!
Salve a força das mulheres negras! Salve Vó Alzira! Salve Vó Dona Alice!
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